Por que ainda não dá para confiar na vacina russa, a primeira do mundo

A velocidade do desenvolvimento e a falta de informações técnicas despertaram críticas da comunidade científica

atualizado 11/08/2020 11:26

afp

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou nesta terça-feira (11/8) que uma vacina desenvolvida para Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, foi aprovada após ser testada em humanos. É o primeiro produto do tipo a ser lançado oficialmente por um país.

Apesar da grande expectativa, o anúncio causou estranheza na comunidade científica. A velocidade do desenvolvimento da vacina e a falta de informações técnicas despertaram críticas até mesmo da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo a entidade, a vacina russa ainda estava na fase 1 do processo. Para desenvolver uma imunização, são necessárias três etapas. A OMS quer ter acesso aos dados da pesquisa para avaliar a eficácia e segurança da imunização para aprová-la.

O Brasil vai participar da fase 3 dos estudos clínicos. Serão 2 mil participantes, com voluntários da própria Rússia, dos Emirados Árabes, da Arábia Saudita e do México.

Seis vacinas candidatas despontam como as mais adiantadas. Três vacinas desenvolvidas por laboratórios chineses, dois dos Estados Unidos e a britânica desenvolvida pela Universidade de Oxford.

O Metrópoles listou em tópicos o que se sabe e quais são as dúvidas sobre a vacina russa para Covid-19.

Transparência
A Rússia não publicou estudos científicos sobre os testes que realizou e também não divulgou os detalhes sobre as fases do processo para lançar a vacina.

Resultados
O governo russo diz que testou a vacina em voluntários no hospital militar Burdenko, mas não informou quantas pessoas foram submetidas e os detalhes, como informações sobre quanto duraria a resposta imune ou o tipo de imunidade que a vacina oferece.

Ensaios clínicos
Especialistas de diversos países têm expressado temores de que os ensaios clínicos teriam sido insuficientes ou ocorrido de forma apressada, o que poderia comprometer a segurança e a eficácia da vacina.
Protocolo
A suspeita é que o governo russo adiantou parte dos protocolos com a a decisão de registar a vacina antes de os cientistas completarem a chamada Fase 3 do estudo. Essa fase, por norma, demora vários meses, envolve milhares de pessoas e é a única forma de se provar que a vacina experimental é segura e funciona.
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Apesar dos temores, Putin disse que a vacina passou em todas as verificações exigidas e acrescentou que sua filha já a tomou. As autoridades disseram que têm planos de iniciar uma vacinação em massa em outubro. Segundo o governo russo, mais de 20 países já encomendaram doses da vacina.

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