Estudo sugere que reduzir a gordura visceral pode proteger o cérebro
Pesquisa com mais de 500 pessoas indica que reduzir gordura abdominal ajuda a preservar o cérebro e manter a memória ao longo dos anos
atualizado
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Reduzir a gordura acumulada na região abdominal pode ter efeitos que vão além da estética. Um estudo publicado na revista Nature Communications em 26 de março indica que manter baixos níveis de gordura visceral ao longo dos anos está associado à preservação do cérebro e a um melhor desempenho cognitivo na meia-idade.
A pesquisa acompanhou 533 homens e mulheres por um período de cinco a 16 anos. Durante esse tempo, os participantes passaram por exames de ressonância magnética e testes cognitivos, o que permitiu aos cientistas observar como mudanças no corpo se relacionam com o envelhecimento cerebral.
Os resultados mostram que pessoas com menor acúmulo de gordura visceral apresentaram menor perda de volume cerebral, especialmente em áreas importantes para a memória, como o hipocampo. Também tiveram melhor desempenho em testes cognitivos ao longo do tempo.
Mais do que o peso na balança
Um dos principais achados do estudo é que o impacto não está necessariamente ligado à perda de peso total. Mesmo quando a redução de peso foi pequena, a diminuição da gordura visceral já foi suficiente para trazer benefícios ao cérebro.
Isso acontece porque esse tipo de gordura, localizada profundamente no abdômen, está mais relacionada a alterações metabólicas do que a gordura subcutânea, que fica logo abaixo da pele.
“O peso por si só não reflete as mudanças metabólicas mais profundas que ocorrem no corpo. Observamos que reduções sustentadas da gordura visceral estão associadas à preservação da estrutura cerebral”, explica Dafna Pachter, primeira autora do estudo, em comunicado.
Segundo os pesquisadores, essa diferença ajuda a explicar por que duas pessoas com o mesmo peso podem ter riscos distintos para a saúde cerebral.
Relação com glicose e envelhecimento
O estudo também identificou que a ligação entre gordura visceral e cérebro passa pelo controle da glicose no sangue. Níveis elevados e desregulados de glicose, associados à resistência à insulina, podem acelerar a degeneração de estruturas cerebrais.
Entre os participantes, aqueles com melhor controle glicêmico apresentaram uma desaceleração na atrofia cerebral, além de menor expansão dos ventrículos, um marcador conhecido do envelhecimento do cérebro.
Para a pesquisadora Iris Shai, uma das responsáveis pelo estudo, os resultados reforçam a importância de olhar para além do peso corporal. “A redução da gordura visceral e o controle da glicose são metas possíveis e podem ajudar a retardar o declínio cognitivo ao longo dos anos”, afirma.
Os dados também mostraram que a redução da gordura abdominal durante intervenções alimentares teve efeitos duradouros. Mesmo anos depois, os participantes que conseguiram diminuir esse tipo de gordura apresentaram melhor preservação das estruturas cerebrais.
Os pesquisadores destacam que o estudo amplia a compreensão sobre como o corpo e o cérebro estão conectados e sugere que mudanças no estilo de vida podem ter efeitos diretos na saúde cognitiva ao longo do tempo.
