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Saúde

Estudo propõe mudança no IMC para diagnosticar doenças metabólicas

Nova métrica vai além do tradicional índice de massa corporal (IMC) e aponta riscos de diabetes mesmo em pessoas com peso considerado normal

Repórter de Saúde21/01/2026 12:58, atualizado 21/01/2026 16:14
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Kate Wieser/Getty Images
Close-up dos pés de uma mulher se pesando em uma balança. Conceito de ganho de peso, obesidade, emagrecimento. Metrópoles

Uma alteração metabólica silenciosa pode estar presente mesmo em pessoas que não apresentam excesso de peso. É o que indica um estudo publicado na revista Nature Medicine em 2 de janeiro, conduzido por pesquisadores da Universidade de Gotemburgo, na Suécia.

A pesquisa propõe uma nova forma de avaliar o risco de doenças como diabetes tipo 2 e síndrome metabólica, olhando além da balança.

O trabalho parte de uma crítica ao uso isolado do índice de massa corporal (IMC), que relaciona peso e altura. Embora muito utilizado na prática clínica, o indicador não leva em conta como a gordura está distribuída no corpo nem como o metabolismo funciona.

Segundo os autores, isso faz com que pessoas com o mesmo IMC possam ter riscos muito diferentes para doenças metabólicas.

Uma nova forma de medir o risco

Os pesquisadores desenvolveram o chamado IMC metabólico, ou MetBMI. A métrica combina dados tradicionais de peso com informações obtidas a partir de metabólitos presentes no sangue, substâncias produzidas durante processos metabólicos e também pela ação das bactérias intestinais.

“Nosso IMC metabólico identifica um distúrbio metabólico oculto, que nem sempre é visível na balança. Duas pessoas com o mesmo IMC podem ter perfis de risco completamente diferentes, dependendo de como seu metabolismo e o tecido adiposo funcionam”, afirma a endocrinologista Rima Chakaroun, da Universidade de Gotemburgo, em comunicado.

Para construir o modelo, a equipe analisou dados clínicos e amostras de sangue de 1.408 pessoas. Com base neles, foi criado um algoritmo capaz de estimar o MetBMI a partir de marcadores biológicos ligados ao metabolismo.

Em seguida, o método foi testado em um segundo grupo, com 466 indivíduos, e mostrou desempenho superior ao IMC tradicional na identificação de riscos metabólicos.

Risco elevado mesmo sem excesso de peso

Os resultados indicam que pessoas com MetBMI mais alto do que o esperado para o seu peso corporal apresentaram 2,6 vezes mais chances de ter diabetes tipo 2.

O risco de síndrome metabólica foi ainda maior, chegando a ser até cinco vezes superior em comparação com indivíduos com o metabolismo considerado mais saudável.

O estudo também encontrou uma forte relação entre o MetBMI e o funcionamento do intestino. Índices mais altos estiveram associados a uma microbiota intestinal menos diversa e a uma menor presença de bactérias capazes de degradar fibras alimentares.

Segundo o pesquisador Fredrik Bäckhed, também da Universidade de Gotemburgo, isso reforça o papel do intestino na saúde metabólica.

“Os metabólitos que mais contribuem para a previsão do IMC metabólico são modulados ou produzidos pela microbiota intestinal, funcionando como uma espécie de indicador do estado metabólico do organismo”, destaca.

Esses achados sugerem que fatores como alimentação e atividade física, que influenciam diretamente as bactérias intestinais, podem melhorar a saúde metabólica mesmo sem grandes mudanças no peso corporal.

Efeitos após cirurgia bariátrica

Em uma etapa adicional da pesquisa, os cientistas analisaram dados de 75 pacientes submetidos à cirurgia bariátrica.

Os resultados mostraram que aqueles com MetBMI mais elevado antes do procedimento perderam menos peso ao longo do tempo, o que, segundo os pesquisadores, reforça a importância da saúde metabólica no controle do peso e na resposta aos tratamentos.

Embora os autores ressaltem que o MetBMI ainda precisa ser validado em outros estudos antes de ser adotado na rotina clínica, eles defendem que a nova métrica pode ajudar a identificar pessoas em risco que hoje passam despercebidas.

“O IMC tradicional frequentemente falha ao identificar indivíduos com peso considerado normal, mas com alto risco metabólico. O IMC metabólico pode contribuir para uma avaliação mais precisa do risco de doenças e apoiar estratégias de prevenção e tratamento mais individualizadas”, finaliza Fredrik Bäckhed.

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