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Médico ensina como identificar inflamação ligada à síndrome metabólica

Entenda a diferença entre inflamação clínica e metabólica, os sintomas mais comuns e o papel da alimentação na síndrome metabólica

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Sebatian Kaulitzki / Getty Images
Ilustração colorida em tons azuis sobre fundo preto e pontos vermelhos que simulam inflamações no instestino - Metrópoles.
1 de 1 Ilustração colorida em tons azuis sobre fundo preto e pontos vermelhos que simulam inflamações no instestino - Metrópoles. - Foto: Sebatian Kaulitzki / Getty Images

Ter o “corpo inflamado” é uma expressão comum entre especialistas e pessoas que buscam o emagrecimento e o bem-estar físico. Do ponto de vista da medicina, a inflamação é um mecanismo natural de defesa do organismo.

Mas, no contexto metabólico, o termo costuma se referir a um estado de inflamação crônica de baixo grau, associado a alterações no metabolismo que aumentam o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e outros problemas de saúde.

É o que os médicos chamam de síndrome metabólica. Um conjunto de fatores que costumam aparecer juntos, como aumento da gordura abdominal, pressão alta, alterações no colesterol e nos níveis de açúcar no sangue.

Segundo informações do Ministério da Saúde, a condição está diretamente relacionada ao estilo de vida, especialmente à alimentação inadequada e ao sedentarismo.

Qual é a diferença de inflamação no corpo e corpo inflamado?

De acordo com o clínico geral Natan Chehter, professor da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), a inflamação no corpo é, essencialmente, a forma como o sistema imunológico se comunica e reage a uma agressão.

“O corpo tem células de defesa especializadas, como linfócitos, mastócitos e células dendríticas, que funcionam como sentinelas. Elas percebem quando algo está errado — uma infecção, uma alergia, um câncer ou até um trauma — e liberam mediadores inflamatórios, que são mensagens químicas para convocar outras defesas”, explica.

Essas respostas variam conforme o tipo de ameaça. Uma infecção bacteriana gera uma resposta diferente de uma alergia ou de uma doença autoimune. Cada situação ativa interleucinas e mediadores inflamatórios específicos, que recrutam células distintas para lidar com o problema.

Por isso, a inflamação não é uma doença em si, mas um processo. Ela pode gerar sinais como febre, dor, inchaço e cansaço, mas nem toda inflamação provoca sintomas claros.

“A gente não investiga a inflamação isoladamente. O médico investiga sintomas como febre ou fadiga. Se a inflamação estiver por trás disso, ela aponta que existe outra causa que precisa ser descoberta”, afirma Chehter.

Do ponto de vista metabólico, no dia a dia, quando profissionais de saúde falam em “corpo inflamado”, geralmente estão se referindo à inflamação crônica associada à síndrome metabólica.

Nesse caso, não se trata de uma infecção ou de uma reação aguda, mas de um estado persistente de ativação inflamatória ligado ao metabolismo. Segundo o nutricionista Lucas Alves Deienno, da Clínica CliNutri, especialista em metabolismo e emagrecimento, esse tipo de inflamação está fortemente relacionado à alimentação.

“Alimentos inflamatórios são aqueles que, quando consumidos com frequência, estimulam respostas inflamatórias crônicas. Eles ativam vias metabólicas ligadas ao aumento de citocinas inflamatórias, ao estresse oxidativo e à resistência à insulina”, explica.

Principais sintomas associados ao “corpo inflamado”

Vale lembrar: a presença de um sintoma isolado não confirma o diagnóstico — exames e avaliação médica são necessários.

  • Acúmulo de gordura abdominal.
  • Aumento progressivo da cintura.
  • Pressão arterial elevada.
  • Níveis de glicose elevados em jejum.
  • Alterações nos níveis de colesterol e gordura no sangue.
  • Sensação persistente de cansaço.
  • Dificuldade para perder peso mesmo com dieta e exercício.

Quais alimentos mais favorecem a inflamação metabólica

Entre os alimentos mais associados ao aumento da inflamação estão açúcar em excesso, farinhas refinadas, ultraprocessados, embutidos, frituras, fast foods e o consumo elevado de álcool.

De acordo com Deienno, esses produtos têm alta densidade calórica e poucos micronutrientes, o que favorece o ganho de peso e, com o tempo, a inflamação crônica. Embora levem ao mesmo resultado, os alimentos agem por mecanismos diferentes.

O açúcar em excesso, por exemplo, provoca picos de glicose e de insulina, o que pode evoluir para resistência à insulina. Já as gorduras saturadas e trans interferem na produção de mediadores inflamatórios e aumentam o risco cardiovascular.

“Os ultraprocessados, por sua vez, costumam reunir esses dois fatores e ainda contêm aditivos que podem prejudicar a função intestinal”, explica.

Pessoas magras também podem ter inflamação crônica?

Sim. O nutricionista destaca que o peso corporal não é um marcador isolado de saúde metabólica. “Pessoas magras também podem apresentar inflamação crônica quando a alimentação é baseada em ultraprocessados e há baixo consumo de alimentos naturais”, afirma.

A obesidade, no entanto, é um fator agravante importante. O excesso de tecido adiposo prejudica a ação da insulina e libera citocinas inflamatórias, que mantêm o organismo em um estado constante de alerta metabólico.

Na inflamação metabólica, os sinais costumam ser mais sutis e inespecíficos. Entre os sintomas que frequentemente melhoram com mudanças alimentares estão inchaço abdominal, gases, retenção de líquidos, funcionamento irregular do intestino, cansaço excessivo e baixa disposição.

Deienno ressalta que alguns alimentos podem ser inflamatórios dependendo da condição clínica da pessoa. Leite e derivados, por exemplo, podem causar inflamação em quem tem intolerância à lactose, enquanto o glúten é um problema para pessoas com doença celíaca ou sensibilidade não celíaca.

Ilustração colorida de um homem segurando vários tipos de alimentos, que estão ordenados em forma de DNA, representando a importância da alimentação na síndrome metabólica - Metrópoles.
Alimentação e estilo de vida estão diretamente ligados ao corpo inflamado, que é uma das consequências da síndrome metabólica

Alimentos que ajudam a reduzir a inflamação

Uma alimentação rica em alimentos naturais pode ajudar a modular esse processo inflamatório. Frutas, legumes e verduras variados, azeite de oliva extravirgem, peixes ricos em ômega 3, oleaginosas, sementes e especiarias como a cúrcuma — pela ação da curcumina — estão associados a efeitos anti-inflamatórios.

Além da dieta, a ingestão adequada de água e a prática regular de atividade física são fundamentais para melhorar o metabolismo e reduzir a inflamação de baixo grau.

Em quanto tempo os benefícios aparecem

O tempo de resposta varia de acordo com o grau de inflamação e com a adesão às mudanças de hábito. A curto prazo, já é comum observar menos inchaço, melhor digestão e mais energia.

“A médio prazo, começam a surgir alterações metabólicas mais profundas, como melhora da sensibilidade à insulina e redução de marcadores inflamatórios nos exames”, ensina o nutricionista.

No contexto geral, o “corpo inflamado” é um sinal de alerta de que o organismo está sofrendo com desequilíbrios metabólicos. Identificar esses sinais precocemente e ajustar o estilo de vida pode evitar a progressão para doenças mais graves.

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