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Saúde

Jovem recupera a autoestima após diagnóstico de alopecia de tração

Após anos de extensões e fios presos, jovem descobriu que a causa das falhas capilares era alopécia e iniciou um processo de aceitação

15/06/2026 02:00, atualizado 10/06/2026 19:21
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Reprodução redes sociais
Mulher em tratamento por alopecia de tração- Metrópoles

Por muitos anos, a atendente Bianca de Oliveira Santos, de 21 anos, acreditou que a solução para seus problemas capilares estava em cremes, ampolas e tratamentos que prometiam fortalecimento e crescimento dos fios. O que ela descobriu mais tarde foi que as falhas que surgiam no couro cabeludo tinham relação com um quadro de alopecia de tração, condição causada pela tensão constante exercida sobre os cabelos.

A jovem conta que os primeiros sinais apareceram de forma gradual. Como realizava procedimentos capilares desde a infância, a fragilidade dos fios já fazia parte da sua rotina.

“Sempre soube que meu cabelo era muito frágil. Na verdade, nem lembro de quando ele não esteve assim. As falhas começaram a ficar mais perceptíveis a partir de 2020 e se intensificaram em 2024”, relata.

Além dos procedimentos químicos, Bianca mantinha hábitos que favoreciam a alopecia de tração. Ela costumava prender os cabelos durante a maior parte da semana e utilizou tranças por anos, sem conhecer os possíveis impactos da prática.

Com o passar do tempo, a situação começou a afetar sua autoestima. O receio de mostrar os fios naturais se tornou tão grande que ela evitava aparecer sem os procedimentos estéticos.

“Em algumas fases, as pessoas ao meu redor não sabiam como era o meu cabelo natural. Eu tinha pavor de que me vissem daquele jeito. Foram tempos sombrios porque eu mesma não me aceitava e não me reconhecia quando me olhava no espelho”, conta.

Segundo o tricologista Luciano Barsanti, do Instituto do Cabelo, em São Paulo, a alopecia de tração ocorre quando o couro cabeludo é submetido repetidamente a forças que puxam os fios.

“O quadro costuma se manifestar principalmente com o aumento das entradas, afinamento dos fios e sensação de que a testa está ficando maior. Muitas vezes, o paciente demora a relacionar esses sinais aos hábitos que mantém diariamente”, explica.

Diagnóstico de alopécia trouxe respostas e mudança de hábitos

A percepção de que o problema não estava na falta de tratamento marcou uma virada para a jovem. Após anos tentando estimular o crescimento dos fios sem sucesso, ela começou a investigar as causas da queda capilar — foi quando foi diagnosticada com a alopécia de tração.

De acordo com Barsanti, a interrupção dos hábitos que provocam tração é essencial para evitar a progressão do quadro. O especialista alerta que extensões, apliques, tranças muito apertadas e penteados presos por longos períodos podem causar danos permanentes aos folículos.

“Muitas pessoas acreditam que os procedimentos são inofensivos, mas o excesso de tensão pode provocar lesões definitivas no folículo capilar quando mantido por longos períodos”, afirma.

Recuperação da autoestima

Após reduzir a tração sobre os fios e adotar novos cuidados, Bianca começou a perceber mudanças positivas. Embora o processo de recuperação ainda esteja em andamento, ela relata que a melhora vai além da aparência.

“Hoje sinto meu cabelo mais forte, menos quebradiço e mais sedoso. Também tenho mais vontade de usá-lo solto e de cuidar dele”, diz.

A experiência também mudou a forma como ela enxerga a própria imagem. Hoje, a jovem usa sua história para alertar outras pessoas sobre os riscos da alopecia de tração e da busca por padrões estéticos que podem comprometer a saúde capilar.

Para Barsanti, casos como o da jovem reforçam a importância da informação e do diagnóstico precoce. “Quanto antes a alopecia de tração for identificada, maiores são as chances de preservar os fios e evitar consequências permanentes para o paciente”, conclui.

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