IA identifica sinais de câncer de pâncreas anos antes do diagnóstico
Ferramenta analisou tomografias e encontrou indícios do câncer até dois anos antes de ela ser detectada em exames clínicos
atualizado
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Um sistema de inteligência artificial pode ajudar médicos a identificar sinais de câncer de pâncreas muito antes do diagnóstico oficial. Em testes com exames de imagem, o modelo conseguiu detectar indícios da doença em muitos casos mais de um ano antes de ela ser confirmada.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Clínica Mayo e do Centro de Câncer MD Anderson, da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica Gut em março. A ferramenta foi desenvolvida para analisar tomografias computadorizadas e identificar alterações sutis no tecido pancreático que podem indicar o início da doença.
O câncer de pâncreas é considerado um dos tumores mais difíceis de detectar precocemente. Cerca de 85% dos casos só são diagnosticados quando a doença já se espalhou para outras partes do corpo, o que reduz significativamente as chances de tratamento eficaz.
Como a inteligência artificial encontra sinais precoces
O modelo desenvolvido pelos pesquisadores recebeu o nome de Redmod. Ele foi treinado com 969 tomografias para aprender a reconhecer padrões muito sutis associados ao desenvolvimento do câncer.
Em vez de procurar tumores visíveis, o sistema analisa detalhes na textura e na estrutura do tecido pancreático. Essas pequenas alterações podem aparecer anos antes de um tumor se tornar visível em exames convencionais.
Depois do treinamento, a equipe testou o sistema em um novo conjunto de exames. Entre 63 pessoas que posteriormente receberam diagnóstico de câncer de pâncreas, o modelo identificou sinais suspeitos em 46 casos. Isso corresponde a uma taxa de detecção de aproximadamente 73%. Em média, os sinais foram identificados cerca de 16 meses antes do diagnóstico clínico.
Em alguns exames, o sistema apontou alterações mais de dois anos antes da confirmação da doença.
Desempenho comparado ao de especialistas
Os pesquisadores também compararam o desempenho da inteligência artificial com a avaliação de radiologistas. Nos mesmos exames, especialistas humanos identificaram sinais precoces em cerca de 38,9% dos casos, um índice bem menor do que o observado com o sistema de IA.
Segundo o radiologista Ajit Goenka, da Clínica Mayo e um dos autores do estudo, o principal desafio no combate ao câncer de pâncreas sempre foi detectar a doença cedo o suficiente.
“O maior obstáculo para salvar vidas nesse tipo de câncer tem sido nossa incapacidade de identificá-lo quando ainda é possível tratá-lo com mais eficácia”, afirma, em comunicado.
Durante os testes, o modelo também gerou alguns alertas falsos. Entre 430 pessoas saudáveis avaliadas, 81 foram classificadas como suspeitas e precisariam realizar exames adicionais para confirmação.
Mesmo assim, os pesquisadores consideram que os resultados mostram potencial para melhorar a detecção precoce da doença. O próximo passo será testar o sistema em grupos maiores de pacientes e avaliar como ele pode ser incorporado à rotina clínica.















