Gastroenterologista explica quando se preocupar com o excesso de gases
Sintoma comum pode estar ligado à alimentação, hábitos e até doenças intestinais. Especialistas explicam quando investigar
atualizado
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O excesso de gases intestinais é uma queixa comum e, na maioria das vezes, não representa um problema de saúde. No entanto, quando passa a causar desconforto frequente ou vem acompanhado de outros sintomas, pode ser um sinal de alerta para condições mais sérias, segundo especialistas.
A gastroenterologista Debora Poli, do Hospital Sírio-Libanês, explica que a presença de gases faz parte do funcionamento normal do organismo. “A digestão dos alimentos é um processo químico que naturalmente envolve a liberação de gases, em maior ou menor quantidade, dependendo do tipo de alimento ingerido e também da composição da flora intestinal”, afirma.
Ainda assim, mudanças no padrão ou no volume desses gases podem indicar desde hábitos inadequados até doenças digestivas. Entre as causas mais comuns estão fatores ligados à alimentação e ao estilo de vida. Alimentos fermentáveis, como feijão, couve e repolho, além de doces e gorduras em excesso, podem aumentar a produção de gases.
Além disso, hábitos do dia a dia também têm impacto direto. “Comer muito rápido pode levar à ingestão de ar durante a deglutição. O mesmo ocorre com mascar chiclete, falar enquanto come ou não dedicar atenção ao momento da refeição”, explica Debora.
O clínico geral Luis Fernando Penna, também do Hospital Sírio-Libanês, reforça que bebidas gaseificadas, alimentos ultraprocessados e o sedentarismo também contribuem para o problema.
“A eliminação de gases é considerada normal quando ocorre entre 10 e 20 vezes ao dia. Fora desse padrão, especialmente com sintomas associados, é importante investigar”, reforça Penna.

Quando gases podem indicar doenças
Embora muitas vezes benigno, o excesso de gases pode estar relacionado a condições clínicas específicas. “As intolerâncias alimentares estão entre as causas mais comuns. A intolerância à lactose, por exemplo, leva à fermentação no intestino e aumenta a produção de gases”, diz Debora.
O mesmo pode ocorrer na doença celíaca, associada à intolerância ao glúten. Outras situações também podem estar envolvidas, como síndrome do intestino irritável, alterações na microbiota intestinal, infecções intestinais, uso de medicamentos — incluindo análogos de GLP-1 — e consequências de cirurgias abdominais.
Em casos raros, o sintoma pode estar ligado a condições mais graves, como tumores ou doenças inflamatórias intestinais.
Sinais de alerta do excesso de gases
- Perda de peso sem explicação;
- Presença de sangue nas fezes;
- Dor abdominal intensa;
- Distensão abdominal persistente;
- Mudanças no hábito intestinal (diarreia ou constipação);
- Anemia ou alterações em exames de sangue.
Como é feita a investigação
Não é possível identificar sozinho a causa do excesso de gases. A avaliação médica inclui análise detalhada do histórico do paciente, hábitos, uso de medicamentos e sintomas associados.
“Não dá para afirmar se isso está relacionado apenas a hábitos alimentares ou se há alguma condição mais relevante por trás”, alerta Debora.
Dependendo da suspeita, podem ser indicados exames como endoscopia, colonoscopia, tomografia, exames de sangue e teste respiratório para SIBO (supercrescimento bacteriano). O encaminhamento para um gastroenterologista costuma ser feito quando os sintomas persistem ou não melhoram com medidas simples.
O que ajuda a reduzir os gases?
- Mastigar bem e comer mais devagar;
- Evitar bebidas gaseificadas;
- Reduzir alimentos fermentáveis;
- Praticar atividade física regularmente;
- Identificar possíveis intolerâncias alimentares.
Segundo os especialistas, se os gases forem frequentes, persistentes ou acompanhados de outros sintomas, a orientação é não ignorar o problema. O desconforto pode até parecer simples, mas, em alguns casos, é o primeiro sinal de que algo no sistema digestivo não está funcionando como deveria.
