Estudo diz que recomendação de proteína diária pode não ser suficiente
Revisão científica afirma que recomendações atuais focam em evitar deficiência e podem não ser suficientes para um envelhecimento saudável

As recomendações atuais sobre consumo de proteínas podem estar abaixo do ideal para muitas pessoas. É o que sugere um novo artigo publicado na revista Frontiers in Nutrition em 16 de junho, que defende uma revisão das orientações de saúde pública para priorizar não apenas a prevenção de deficiências nutricionais, mas também a manutenção da força, da autonomia e da função cognitiva ao longo da vida.
Segundo o autor do trabalho, Chris Macdonald, pesquisador associado da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e diretor do Better Protein Institute, as diretrizes atuais foram elaboradas principalmente para evitar problemas relacionados à falta de proteínas em adultos sedentários.
Para ele, a orientação deixa de lado uma questão cada vez mais importante: o que fazer para chegar à velhice com mais independência física e mental.
“As recomendações de saúde pública muitas vezes se concentram no mínimo necessário para evitar problemas. Mas muitas pessoas querem saber o que devem fazer para se manterem fortes, independentes e mentalmente lúcidas ao longo da vida”, afirma Macdonald, em comunicado.
Exercício e proteína caminham juntos
O trabalho revisa estudos que associam a prática regular de atividade física a benefícios como menor risco de morte, melhora da saúde mental, preservação da capacidade cognitiva e redução do declínio relacionado ao envelhecimento.
De acordo com a análise, os melhores resultados costumam aparecer quando exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida e ciclismo, são combinados com atividades de fortalecimento muscular.
Os pesquisadores defendem que o exercício não deve ser visto apenas como uma ferramenta para evitar doenças, mas também como uma forma de preservar mobilidade, força e autonomia ao longo dos anos.
Quem pode precisar de mais proteína
O pesquisador também destaca que diferentes grupos podem se beneficiar de uma ingestão de proteína acima das recomendações mínimas atuais. Entre eles estão pessoas fisicamente ativas, idosos e gestantes.
Segundo os autores, pesquisas recentes indicam que quantidades maiores podem contribuir para a manutenção da massa muscular e para um melhor funcionamento do organismo.
O artigo também cita evidências de que dietas mais ricas em proteínas podem favorecer a perda de gordura corporal. Isso acontece porque o nutriente aumenta a sensação de saciedade e exige mais energia para ser processado pelo organismo.
Foco na saúde no longo prazo
Em vez de substituir as recomendações existentes, Macdonald propõe que elas sejam complementadas por orientações voltadas para aquilo que chama de “saúde ideal”.
A ideia é oferecer informações mais práticas sobre como alimentação e atividade física podem contribuir para manter o corpo e o cérebro funcionando bem por mais tempo.
Segundo o pesquisador, muitas das limitações frequentemente associadas ao envelhecimento podem estar relacionadas ao estilo de vida adotado ao longo dos anos e não apenas à passagem do tempo.
Apesar das conclusões, o artigo é uma revisão de estudos e não estabelece uma quantidade específica de proteína que deva ser consumida por toda a população. Os autores defendem que futuras diretrizes levem em conta diferenças individuais, como idade, nível de atividade física e condições de saúde.

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