Estudo associa vacina Oxford/AstraZeneca ao desenvolvimento de púrpura

Pesquisa realizada na Escócia aponta que a vacina pode desencadear distúrbio sanguíneo de pouca gravidade

atualizado 10/06/2021 16:05

VACINA covishield astrazenecaGustavo Moreno/Especial para o Metrópoles

Pesquisadores da Universidade de Edimburgo afirmam que cerca de uma em cada 100.000 pessoas que recebem a vacina da Oxford/AstraZeneca pode apresentar um distúrbio sanguíneo raro e de pouca gravidade chamado púrpura trombocitopênica idiopática (PTI).

A PTI leva a uma redução das plaquetas sanguíneas, o que pode causar pequenos hematomas no corpo, deixando alguns pontos vermelhos ou manchas roxos. Em casos mais complicados, os pacientes podem apresentar sangramentos, mas o problema é facilmente controlado e as mortes em decorrência da enfermidade são incrivelmente raras.

Os resultados foram publicados na última quarta-feira (9/6) no periódico Nature Medicine, e foram obtidos a partir de dados médicos de 5,4 milhões de pessoas coletados entre 8 de dezembro de 2020 e 14 de abril de 2021 na Escócia.

Até então, 1,7 milhão haviam recebido a primeira dose da vacina Oxford/AstraZeneca, enquanto 800 mil tinham sido imunizados com a primeira dose da vacina Pfizer/BioNTech.

Os pesquisadores examinaram os registros de saúde dos indivíduos imunizados para identificar quaisquer problemas anteriores com PTI, distúrbios de coagulação ou sangramento e os compararam com pessoas que não haviam sido vacinadas. O resultado foi a probabilidade de um caso a cada 100 mil pessoas imunizadas com a vacina Oxford/AstraZeneca.

O risco extremamente baixo não ameaça a segurança do medicamento e é comparável ao de outras vacinas, incluindo hepatite B, sarampo, caxumba, rubéola e gripe. Nenhum caso foi relacionado à vacina da Pfizer, que usa tecnologia diferente.

Os pesquisadores afirmam que estes baixos números são tranquilizadores, e reforçam que os benefícios da vacinação contra o Sars-CoV-2 superam os riscos.

O que é púrpura trombocitopênica idiopática (PTI)?
É uma condição autoimune que faz com que o sistema imunológico destrua as plaquetas. As plaquetas são células sanguíneas que coagulam o sangue e são necessárias para prevenir hemorragias e hematomas após lesões.

As pessoas podem desenvolver PTI após uma virose, vacina ou certos medicamentos, mas a causa costuma ser desconhecida. Geralmente o problema é diagnosticado com exame de sangue ou pela observação de hematomas frequentes.

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