Estudo aponta que a diabetes tipo 1 pode ter duas formas distintas
Análise genética indica diferenças nos mecanismos da doença e sugere caminhos para tratamentos mais específicos da diabetes

Um estudo internacional indica que a diabetes tipo 1 pode não ser uma única doença, mas duas formas distintas com origens biológicas diferentes. A pesquisa analisou o material genético de milhares de pacientes e identificou diferenças relevantes entre dois grupos.
O trabalho foi conduzido por cientistas dos Estados Unidos e do Reino Unido e publicado na revista Diabetologia em 31 de agosto. A análise incluiu dados de mais de 9 mil pessoas com diabetes tipo 1 e mais de 14 mil indivíduos sem a doença.
O que é diabetes tipo 1?
- A diabetes mellitus tipo 1 (DM1) é uma doença crônica não transmissível, hereditária, caracterizada pela deficiência de insulina no organismo.
- O pico de incidência do DM1 ocorre em crianças e adolescentes, entre 10 e 14 anos e em adultos de qualquer idade.
- No Brasil, estima-se que ocorram 25,6 casos por 100 mil habitantes a cada ano, sendo considerada uma incidência elevada.
- O tratamento exige o uso diário de insulina para regular os níveis de glicose no sangue, evitando complicações da doença.
Dois perfis genéticos
Os pesquisadores focaram em dois padrões genéticos já associados ao risco de diabetes tipo 1, conhecidos como HLA-DR3 e HLA-DR4. Embora ambos levem ao mesmo diagnóstico, os sinais iniciais e a progressão da doença podem variar.
Ao separar os pacientes com base nesses perfis, a equipe encontrou diferenças suficientes para indicar que os dois grupos podem representar formas distintas da doença.
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Ver todasNo grupo com padrão HLA-DR3, os dados apontam maior participação de mastócitos, células ligadas a processos inflamatórios e respostas a agentes externos.
Já no grupo HLA-DR4, a atuação das células T foi mais evidente. Essas células fazem parte do sistema imunológico e são responsáveis por atacar outras células do organismo, incluindo as células beta do pâncreas.
O que muda na prática
As células beta são responsáveis pela produção de insulina, e sua destruição é a principal característica da diabetes tipo 1. A diferença está nos caminhos que levam a esse processo.
Segundo os autores, os processos por trás de cada perfil genético podem ser bem diferentes, o que reforça a ideia de que não se trata de um único tipo de doença. Essa diferença pode influenciar o tratamento no futuro. Em vez de uma abordagem única, as terapias podem ser ajustadas de acordo com o perfil genético de cada paciente.
Próximos passos
Os pesquisadores destacam que os resultados ainda precisam ser aprofundados. Novos estudos devem investigar como esses perfis influenciam a evolução da doença ao longo do tempo. Também será necessário avaliar se essa divisão pode ser aplicada na prática clínica, incluindo o desenvolvimento de tratamentos e estratégias de prevenção mais direcionadas.
A análise genética pode, no futuro, ajudar a definir quais pacientes respondem melhor a determinadas terapias e como reduzir o risco de progressão da doença.



