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Saúde

IA detecta hipertensão e diabetes com vídeo facial de poucos segundos

Estudo que será apresentado na Europa indica que análise feita em poucos segundos pode apontar doenças sem exame físico ou coleta de sangue

26/08/2026 12:25
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Pessoas, envelhecimento e dispositivos eletrônicos: mulher de meia-idade com longos cabelos grisalhos relaxando em casa, usando um tablet para se comunicar online com a família e sorrindo ao olhar para a tela. Metrópoles

Uma tecnologia baseada em inteligência artificial pode ajudar a identificar hipertensão e diabetes a partir de um simples vídeo do rosto. Os resultados serão apresentados no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, que ocorre entre os dias 28 e 31 de agosto, na Alemanha.

A proposta é melhorar o rastreamento dessas doenças, que muitas vezes passam sem diagnóstico. Hoje, a detecção costuma depender de consultas presenciais, exames específicos ou uso de dispositivos, o que limita o alcance.


O que é hipertensão?

  • A pressão alta, ou hipertensão arterial, ocorre quando há uma alta força exercida pelo sangue nas paredes dos vasos sanguíneos, quando ele é bombeado pelo coração.
  • A medicina considera que há um quadro de pressão alta quando os valores ultrapassam os 140/90 mmHg (milímetros de mercúrio) ou 14 por 9.
  • Tontura, falta de ar e dor de cabeça são sintomas comuns da pressão alta. No entanto, na maioria das vezes, a pessoa não apresenta indícios que acusem o problema e só o descobre quando o quadros é grave.
  • Apesar de não ter cura na maioria das vezes, a hipertensão tem controle com medicamentos e a adoção de hábitos saudáveis.

Como funciona a análise

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Tóquio e do Instituto de Ciências de Tóquio, no Japão. Participaram 215 pessoas, entre pacientes com diagnóstico e voluntários saudáveis.

Cada participante teve o rosto e as palmas das mãos gravados por poucos segundos com uma câmera capaz de captar variações de luz associadas ao fluxo sanguíneo. Um algoritmo analisou esses vídeos para extrair informações como a onda de pulso, o fluxo de sangue na pele e mudanças na coloração.

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Os dados foram comparados com exames convencionais para verificar a capacidade da tecnologia de identificar as doenças.

Resultados em poucos segundos

O sistema conseguiu detectar hipertensão com 95% de precisão em vídeos de 30 segundos. Mesmo com gravações de apenas cinco segundos, a precisão se manteve alta, em torno de 90%.

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Para diabetes, a análise do fluxo sanguíneo facial também apresentou bons resultados. A precisão foi de 88,2% em vídeos mais longos e de 81,2% em gravações curtas. Além disso, o algoritmo conseguiu estimar a pressão arterial apenas com base no vídeo, sem o uso de aparelhos tradicionais.

Possível uso fora do consultório

Os pesquisadores pretendem permitir triagens em locais do dia a dia, sem necessidade de contato físico ou coleta de sangue, o que poderia facilitar a identificação de pessoas em risco que ainda não sabem que têm a doença.

“Nosso objetivo era desenvolver um algoritmo de IA que permitisse a triagem sem contato em ambientes cotidianos para detectar doenças comuns de forma precoce e em larga escala”, afirmou a pesquisadora Ryoko Uchida, em comunicado.

Limites e próximos passos

Os autores destacam que os resultados ainda precisam ser confirmados em grupos maiores e mais diversos. Também será necessário reduzir a variação nas medições de pressão arterial para que a tecnologia atenda a critérios mais rigorosos.

Os autores apontam que ferramentas desse tipo podem ajudar na prevenção, ao permitir que o tratamento e mudanças de rotina comecem mais cedo. Apesar dos resultados, a tecnologia ainda está em fase de validação e não substitui os métodos tradicionais de diagnóstico.