“Estamos em guerra contra o vírus, não uns contra os outros”, diz OMS

Diretores da entidade acreditam que não é hora de apontar dedos, mas de trabalhar juntos contra a Covid-19

atualizado 26/03/2021 16:49

tedros ghebreyesusAnadolu Agency/Getty Images

Em entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira (26/3), os diretores da Organização Mundial de Saúde (OMS) tentaram colocar panos quentes nas tensões entre países e governantes acerca da pandemia de Covid-19.

“Estamos em guerra contra o vírus, não uns contra os outros. O objetivo comum é acabar com o coronavírus. Há várias tensões, fogo-amigo de vez em quando, as pessoas estão exaustas, mas todos os líderes que trabalham conosco sabem que só podemos sair disso juntos. Vamos ter alguns meses difíceis daqui para a frente”, afirma Bruce Aylward, conselheiro sênior do diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Michael Ryan, diretor de emergências da agência internacional, explica que a OMS enxerga o mundo em uma perspectiva maior e que, na vasta maioria dos casos, os líderes têm tentado fazer o que é melhor para o seu povo. “É ir longe demais dizer que há líderes agindo contra o próprio povo. As pessoas podem errar”, diz.

Para Mariângela Simão, diretora-assistente para a distribuição de medicamentos e vacinas, hoje há muitas informações sobre o coronavírus, e é preciso pensar em políticas públicas baseadas em evidências.

“Estamos mais equipados, sabemos quais remédios ajudam e quais orientações salvam vidas. É muito fácil apontar dedos e dizer o que está errado, temos que olhar para a frente e ter certeza que nossas ações são baseadas na ciência”, afirma.

Igualdade nas vacinas

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, voltou a falar sobre a falta de igualdade na distribuição de vacinas. Ele lembra que foi proposta uma meta de dar início à vacinação em todos os países do mundo nos 100 primeiros dias de 2021. Faltam 15 dias para o final do prazo e 36 países ainda não começaram a imunizar a população — 16 devem receber as doses pelo Covax Facility nos próximos dias, mas 20 ainda seguem sem previsão.

“Estamos prontos para entregar, mas não temos vacina. O nacionalismo, compras paralelas, proibição de exportação criaram distorções no mercado e atrasam milhares de doses da Covax. Para resolver o problema, precisamos de pelo menos 10 milhões de doses doadas”, afirma o diretor-geral.

A ideia é que países que adquiriram grandes quantidades de doses, ou que já estejam com a vacinação adiantada façam a doação para os países que precisam “desesperadamente” de imunizantes. “É uma decisão política difícil, e os governos vão precisar do apoio da população. Não é uma meta difícil, e nem perto do suficiente, mas é um começo”, diz Ghebreyesus.

Ele também fez um alerta sobre vacinas falsificadas, tentativas de golpes e até a compra de doses na Dark Web. O diretor-geral pediu que os serviços de saúde tenham cuidado ao descartar os recipientes de vacina, para evitar que sejam usados para contrabando de imunizantes ou golpes.

Saiba como as vacinas contra Covid-19 atuam:

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