Fibras resolvem tudo? Gastroenterologista revela erro comum no consumo

Essenciais para o intestino, fibras não são solução universal e podem até piorar sintomas em alguns casos. Entenda como consumir

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Foto de mesa com alimentos ricos em fibras, como frutas, vegetais e sementes - Metrópoles
1 de 1 Foto de mesa com alimentos ricos em fibras, como frutas, vegetais e sementes - Metrópoles - Foto: Freepik

As fibras ganharam status de solução quase mágica quando o assunto é saúde intestinal, emagrecimento e bem-estar. Mas a ideia de que elas “resolvem tudo” na alimentação não se sustenta na prática clínica. Embora sejam fundamentais, seu efeito depende do tipo, da quantidade e, principalmente, do contexto de cada pessoa.

Segundo o gastroenterologista Caio Magrini, do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo, o consumo indiscriminado de fibras pode trazer mais problemas do que benefícios em alguns casos.

Apesar de serem amplamente recomendadas, as fibras não funcionam da mesma forma para todos. Em algumas condições clínicas, o aumento do consumo pode até agravar sintomas intestinais.

“As fibras não ajudam todos os pacientes. Embora sejam benéficas na maioria dos casos, algumas pessoas podem apresentar piora de distensão abdominal, gases, dor ou diarreia”, explica Magrini.

De acordo com o especialista, pacientes com síndrome do intestino irritável, supercrescimento bacteriano intestinal (SIBO) e doenças inflamatórias intestinais ativas exigem cautela.

O excesso ou o uso inadequado das fibras pode ser prejudicial. “Elas são extremamente importantes para a saúde intestinal, metabólica e até hormonal, mas nem sempre mais é melhor”, diz a nutricionista Fernanda Coimbra, da Tivolly, em Brasília.

Tipos de fibras fazem diferença no organismo

Um dos principais erros é tratar todas as fibras como iguais. Na prática, elas têm funções bem diferentes no corpo.

As fibras solúveis, presentes em alimentos como aveia, frutas e sementes, ajudam a formar um gel no intestino, regulando o trânsito intestinal e alimentando a microbiota. Já as insolúveis, encontradas em vegetais e cereais integrais, aumentam o volume das fezes e aceleram o trânsito.

Fernanda destaca o papel metabólico: “As fibras solúveis ajudam na saciedade, melhoram a resposta glicêmica e contribuem para o controle do colesterol”.

Excesso pode causar efeito contrário

A ideia de que “quanto mais fibras, melhor” também é um equívoco comum. O consumo exagerado, especialmente sem hidratação adequada, pode causar desconfortos importantes.

“O excesso pode causar gases, distensão abdominal, cólicas e até obstrução intestinal em pacientes predispostos”, alerta o gastroenterologista.

Aumentar o consumo de forma abrupta é outro erro frequente. Segundo a nutricionista, isso pode gerar exatamente o oposto do esperado. “Querer aumentar as fibras de uma vez, sem adaptação e sem aumentar o consumo de água não é saudável”, diz.

Para adultos saudáveis, a recomendação gira entre 25 e 38 gramas de fibras por dia, quantidade que deve ser distribuída ao longo das refeições.

Não existe solução única

Apesar dos benefícios comprovados para a microbiota, o controle glicêmico e a saciedade, as fibras não são uma solução isolada para saúde ou emagrecimento.

“Elas ajudam bastante, mas dentro de um contexto de alimentação equilibrada, sono, movimento e manejo do estresse. Não existe alimento isolado que faça o trabalho sozinho”, conclui Fernanda.

Na prática, o melhor caminho não é aumentar fibras de forma aleatória, mas ajustar o consumo de acordo com o organismo, preferindo alimentos naturais e mantendo equilíbrio na rotina alimentar.

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