Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Saúde

Dieta nórdica é associada a menor risco de morte ao longo de 24 anos

Estudo com mais de 64 mil adultos estimou redução de 4% no risco de morte com uma alimentação rica em peixes, frutas e grãos integrais

09/10/2026 10:49, atualizado 09/10/2026 11:04
Magnific
Legumes de raiz e ingredientes para preparar uma salada com vegetais assados ​​no forno. Alimentação saudável. Vista de cima. Metrópoles

A dieta mediterrânea é conhecida por seus benefícios à saúde, mas outro modelo alimentar europeu também pode contribuir para uma vida mais longa. Uma pesquisa publicada em 7 de outubro no The American Journal of Clinical Nutrition indica que seguir uma dieta nórdica saudável pode reduzir o risco de morte por qualquer causa ao longo de 24 anos.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Dinamarca, que analisaram dados de saúde de mais de 64 mil adultos de meia-idade e idosos da Suécia. A partir dessas informações, a equipe simulou um ensaio clínico para estimar o que aconteceria se as pessoas seguissem diferentes recomendações alimentares por um longo período.

Os cálculos indicaram que a adesão à dieta nórdica saudável foi associada a um risco de morte 4% menor em comparação com as recomendações nutricionais nórdicas de 2023. Em relação a um cenário sem intervenção alimentar, a redução estimada foi de 6%.

Os autores ressaltam que o trabalho não acompanhou pessoas durante 24 anos em um ensaio clínico. Os resultados são estimativas baseadas em dados de saúde e em cenários hipotéticos de alimentação.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e Ciência

Receba no seu email as notícias de Ciência&Saúde

Frequência de envio: Semanal

Ver todas as newsletters

O que é a dieta nórdica

A dieta nórdica reúne hábitos alimentares tradicionais de países como Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia. Assim como a dieta mediterrânea, prioriza alimentos de origem vegetal, peixes e fontes de gorduras insaturadas.

A principal diferença está nos ingredientes mais comuns em cada região. Enquanto a dieta mediterrânea costuma incluir azeite, trigo e frutas como laranja, a versão nórdica dá preferência ao óleo de canola, à aveia, ao centeio, às maçãs e às frutas vermelhas. O cardápio também inclui vegetais, raízes, repolho e peixes gordurosos, como salmão. A proposta é priorizar alimentos integrais e fontes de fibras, além de reduzir o consumo de produtos menos alinhados às recomendações alimentares da região.

A dieta também pode ser mais fácil de seguir para quem vive no norte da Europa, já que muitos desses alimentos são produzidos localmente e fazem parte dos hábitos da população.

O que ainda precisa ser investigado

Apesar dos resultados, a dieta nórdica ainda foi menos estudada do que a mediterrânea em relação à saúde ao longo de décadas. A nova pesquisa também não encontrou uma redução clara nos casos graves de doenças hepáticas ao comparar a dieta nórdica saudável com as recomendações nutricionais de 2023.

Os pesquisadores identificaram diferenças nas estimativas de mortalidade entre grupos de participantes, mas essas observações precisam ser confirmadas em outros estudos. A análise parte da hipótese de que as pessoas manteriam a alimentação recomendada por décadas, algo que pode não ocorrer na vida real.

Para Michael Fridén, da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, autor principal do estudo, há razões para considerar que uma alimentação nórdica tradicional, rica em frutas vermelhas, gorduras insaturadas e fibras, favoreça a saúde.

Além dos possíveis benefícios individuais, o modelo alimentar pode contribuir para a produção local de alimentos, já que prioriza ingredientes cultivados ou pescados na própria região. Os pesquisadores destacam, porém, que são necessárias mais investigações para compreender os efeitos da dieta a longo prazo.