Estudo liga gordura da dieta a maior agressividade no câncer de mama

Pesquisa indica que ácidos graxos e colesterol podem alterar a estrutura de tumores e favorecer sua invasão em tecidos

atualizado

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Ilustração mostra células cancerígenas em azul, em um fundo roxo - 6 tipos de câncer avançam entre jovens no mundo, diz estudo de Harvard - Metrópoles
1 de 1 Ilustração mostra células cancerígenas em azul, em um fundo roxo - 6 tipos de câncer avançam entre jovens no mundo, diz estudo de Harvard - Metrópoles - Foto: Nemes Laszlo/Science Photo Library/Gettyimages

Dietas ricas em gordura podem tornar alguns tipos de câncer de mama mais agressivos. É o que sugere um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, que investigou como diferentes nutrientes influenciam o comportamento de tumores.

Os cientistas analisaram especialmente o câncer de mama triplo negativo, uma forma da doença considerada mais difícil de tratar por não responder à maioria das terapias convencionais.

Os resultados, publicados na revista científica APL Bioengineering em 3 de março, indicam que a gordura não necessariamente acelera o crescimento do tumor, mas pode alterar sua estrutura de uma forma que favorece a invasão de tecidos próximos.

Para entender o efeito da alimentação sobre o câncer, os pesquisadores cultivaram tumores em um modelo tridimensional que reproduz melhor o ambiente do corpo humano. Nesse sistema, eles adicionaram plasma semelhante ao humano contendo diferentes combinações de nutrientes para simular condições metabólicas associadas a várias dietas.

Mudanças na estrutura do tumor

Os resultados mostraram que tumores expostos a altos níveis de ácidos graxos e colesterol desenvolveram projeções alongadas que se estendiam para fora do núcleo do tumor. Essas estruturas estão associadas ao comportamento invasivo do câncer e podem facilitar sua disseminação pelo organismo.

“Os cânceres agressivos formam esses filamentos, e são justamente as extremidades que acabam invadindo tecidos normais e alcançando vasos sanguíneos ou linfáticos, permitindo a metástase”, explica a bioengenheira Celeste Nelson, uma das autoras do estudo, em comunicado.

Curiosamente, outras condições testadas, incluindo ambientes ricos em insulina, glicerol ou cetonas, não produziram a mesma alteração estrutural nos tumores. Nesses casos, as células permaneceram mais compactas, semelhantes ao padrão observado na condição de referência.

Crescimento tumoral em diversas condições ambientais, incluindo alto teor de gordura e alto teor de açúcar.
Imagens de fluorescência mostram células tumorais invadindo o tecido ao redor ao longo de vários dias. As ramificações mais extensas aparecem no quadro inferior direito.

Possível relação com genes ligados à invasão tumoral

Os cientistas também observaram mudanças na atividade de um gene chamado MMP1, associado à degradação do colágeno que compõe os tecidos ao redor do tumor. O aumento da expressão desse gene apareceu fortemente relacionado às alterações estruturais observadas nas células expostas a gordura.

Segundo os pesquisadores, a hipótese é que dietas ricas em gordura possam estimular esse mecanismo, facilitando a degradação do ambiente ao redor do tumor e favorecendo seu avanço. Ainda assim, os cientistas ressaltam que a relação de causa e efeito ainda precisa ser confirmada em estudos futuros.

Os experimentos também testaram uma mistura de nutrientes projetada para simular uma dieta cetogênica, caracterizada por alto consumo de gordura e baixa ingestão de carboidratos. Nesse caso, o modelo não apresentou melhora em relação aos tumores iniciais.

Para os autores, o estudo mostra que compreender a interação entre dieta e microambiente tumoral pode ajudar a identificar novos alvos para pesquisas sobre o comportamento do câncer e possíveis estratégias terapêuticas.

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