Os pesquisadores analisaram a Fusobacterium nucleatum, uma bactéria frequentemente associada a inflamações na gengiva, e observaram que ela pode influenciar o comportamento de células tumorais.
Diferentemente do que muita gente imagina, essa bactéria não se limita à cavidade oral.Em casos de inflamação gengival, ela pode entrar na corrente sanguínea e alcançar outras partes do corpo, incluindo o tecido mamário. Nos experimentos, os cientistas observaram que a Fusobacterium nucleatum pode:
Alcançar o tecido mamário e interagir com células tumorais;
Estimular processos inflamatórios que favorecem o câncer;
Causar danos ao DNA das células, aumentando o risco de mutações;
Facilitar o crescimento e a disseminação do tumor (metástase).
Na prática, os resultados indicam que a bactéria pode atuar como um fator que favorece a progressão do câncer, criando um ambiente mais propício para o desenvolvimento tumoral — mas não como causa única da doença. Os efeitos foram mais evidentes em células com mutações no gene BRCA1, já associado a maior risco de câncer de mama.
Ligação com a saúde bucal
AFusobacterium nucleatum está ligada à doença periodontal, uma inflamação crônica da gengiva que pode causar sangramento, dor e até perda de dentes.
O estudo reforça a hipótese de que problemas na boca podem ter impacto em outras partes do corpo. Ou seja, a saúde bucal não é isolada — ela faz parte do equilíbrio geral do organismo.
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Câncer de mama é uma doença caracterizada pela multiplicação desordenada de células da mama causando tumor. Apesar de acometer, principalmente, mulheres, a enfermidade também pode ser diagnosticada em homens
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Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), há vários tipos de câncer de mama. Alguns têm desenvolvimento rápido, enquanto outros crescem lentamente. A maioria dos casos, quando tratados cedo, apresentam bom prognóstico
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Não há uma causa específica para a doença. Contudo, fatores ambientais, genéticos, hormonais e comportamentais podem aumentar o risco de desenvolvimento da enfermidade. Além disso, o risco aumenta com a idade, sendo comum em pessoas com mais de 50 anos
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Apesar de haver chances reais de cura se diagnosticado precocemente, o câncer de mama é desafiador. Muitas vezes, leva a força, os cabelos, os seios, a autoestima e, em alguns casos, a vida. Segundo o Inca, a enfermidade é responsável pelo maior número de óbitos por câncer na população feminina brasileira
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Os principais sinais da doença são o aparecimento de caroços ou nódulos endurecidos e geralmente indolores. Além desses, alteração na característica da pele ou do bico dos seios, saída espontânea de líquido de um dos mamilos, nódulos no pescoço ou na região das axilas e pele da mama vermelha ou parecida com casca de laranja são outros sintomas
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O famoso autoexame é extremamente importante na identificação precoce da doença. No entanto, para fazê-lo corretamente é importante realizar a avaliação em três momentos diferentes: em frente ao espelho, em pé e deitada
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Faça o autoexame. Em frente ao espelho, tire toda a roupa e observe os seios com os braços caídos. Em seguida, levante os braços e verifique as mamas. Por fim, coloque as mãos apoiadas na bacia, fazendo pressão para observar se existe alguma alteração na superfície dos seios
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A palpação de pé deve ser feita durante o banho com o corpo molhado e as mãos ensaboadas. Para isso, levante o braço esquerdo, colocando a mão atrás da cabeça. Em seguida, apalpe cuidadosamente a mama esquerda com a mão direita. Repita os passos no seio direito
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A palpação deve ser feita com os dedos da mão juntos e esticados, em movimentos circulares em toda a mama e de cima para baixo. Depois da palpação, deve-se também pressionar os mamilos suavemente para observar se existe a saída de qualquer líquido
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Por fim, deitada, coloque a mão esquerda na nuca. Em seguida, com a mão direita, apalpe o seio esquerdo verificando toda a região. Esses passos devem ser repetidos no seio direito para terminar a avaliação das duas mamas
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Mulheres após os 20 anos que tenham casos de câncer na família ou com mais de 40 anos sem casos de câncer na família devem realizar o autoexame da mama para prevenir e diagnosticar precocemente a doença
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O autoexame também pode ser feito por homens, que apesar da atipicidade, podem sofrer com esse tipo de câncer, apresentando sintomas semelhantes
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De acordo com especialistas, diante da suspeita da doença, é importante procurar um médico para dar início a exames oficiais, como a mamografia e análises laboratoriais, capazes de apontar a presença da enfermidade
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É importante saber que a presença de pequenos nódulos na mama não indica, necessariamente, que um câncer está se desenvolvendo. No entanto, se esse nódulo for aumentando ao longo do tempo ou se causar outros sintomas, pode indicar malignidade e, por isso, deve ser investigado por um médico
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O tratamento do câncer de mama dependerá da extensão da doença e das características do tumor. Contudo, pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapia biológica
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Os resultados, porém, são melhores quando a doença é diagnosticada no início. No caso de ter se espalhado para outros órgãos (metástases), o tratamento buscará prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida do paciente
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O que o estudo significa na prática
Apesar dos achados chamarem a atenção, os próprios pesquisadores destacam que os resultados ainda são baseados em modelos experimentais, como análises em laboratório. Isso significa que ainda não é possível afirmar que a bactéria cause câncer de mama diretamente em humanos.
O que o estudo mostra é uma associação biológica que ajuda a entender melhor como microrganismos podem influenciar o comportamento de tumores. Na prática, os achados reforçam a importância da saúde bucal, o papel do microbioma na saúde geral e a necessidade de mais estudos em humanos.
Os cientistas agora buscam entender se controlar a presença da Fusobacterium nucleatum pode ajudar a reduzir riscos ou até contribuir com o tratamento do câncer de mama.
Se isso for confirmado, no futuro, cuidados simples — como tratar inflamações na gengiva — podem ganhar ainda mais relevância na prevenção de doenças mais graves.