Covid-19: por que Inglaterra é o 1º país ocidental a aplicar vacina

País inicia nesta terça-feira (8/12) imunização de grupos prioritários com fórmula desenvolvida pelas empresas Pfizer e BioNTech

atualizado 08/12/2020 10:06

Testes de vacinaçãoSergei KarpukhinTASS via Getty Images

A Inglaterra inicia a vacinação de sua população contra a Covid-19 nesta terça-feira (8/12). Aprovado pela agência de regulação de medicamentos inglesa, o imunizante Pfizer/BioNTech será aplicado, inicialmente, em pessoas com mais de 80 anos, residentes e trabalhadores de casas de repouso e profissionais de saúde na linha de frente de atendimento aos pacientes infectados pelo novo coronavírus.

Uma soma de acertos relacionados a planejamento e logística garantiu que o país conseguisse ser o primeiro do lado ocidental a ter acesso a um imunizante aprovado contra a Covid-19. Parte dos méritos está no fato de os ingleses terem apostado em uma carteira de potenciais vacinas.

Além do imunizante de Oxford, que leva a bandeira britânica, ainda em julho, o Reino Unido já havia garantido 30 milhões de doses da fórmula Pfizer/BioNTech e 40 milhões de doses da Valneva, candidata à imunização que está sendo desenvolvida na França. Em seguida, também apostou nas candidatas GSK/Sanofi, Novavax e Johnson & Johnson.

Além disso, os britânicos foram eficientes em aprovar rapidamente a fórmula Pfizer/BioNTech, primeira a encerrar a fase 3 de ensaios clínicos. A agência reguladora do país concedeu a autorização de uso emergencial da vacina em apenas dez dias a partir da entrega dos resultados, pois já vinha analisando a documentação necessária em etapas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está fazendo algo parecido no Brasil, mas, até agora, nenhuma farmacêutica entregou os resultados de fase 3 por aqui.

Os Estados Unidos, que usaram uma estratégia semelhante a dos ingleses devem bater o martelo sobre o uso da vacina Pfizer/BioNTech na próxima quarta-feira (9/12). A agilidade inglesa levantou críticas dos cientistas norte-americanos sobre a qualidade da análise feita pela agência reguladora britânica.

“Eu amo os britânicos, eles são ótimos, são bons cientistas, mas eles apenas pegaram os dados da empresa Pfizer e em vez de examiná-los com muito, muito cuidado, eles aprovaram”, afirmou Anthony Fauci, principal conselheiro da Casa Branca para o assunto vacinas.

A afirmação foi rebatida de maneira direta por Jonathan Van-Tam, nº2 do serviço de saúde inglês. “Se você é um regulador que está um pouco atrasado, o que diria para justificar sua posição. Palavras como as que você ouviu, talvez”, afirmou durante uma rodada de entrevistas no domingo, de acordo com o jornal Daily Mail.

Serviço público
De acordo com especialistas, outro trunfo inglês foi a robustez do NHS, o sistema público de saúde do país que, no Brasil, equivaleria ao SUS. O foco na universalização do atendimento garantiu a expertise necessária para o planejamento adequado de uma campanha de vacinação.

“Os ingleses já largaram na frente pois vem construindo um serviço público de saúde há muito tempo, isso permitiu que fizessem as escolhas corretas e se preparassem rapidamente para implementá-las”, aponta o infectologista José David Urbaez, diretor científico da Sociedade de Infectologia do DF.

Urbaez acredita que os Estados Unidos ainda enfrentarão dificuldades neste capítulo por não terem reunido, ao longo dos anos, as informações necessárias para uma campanha de imunização desta magnitude. “Cada estado americano tem sua maneira de fazer as coisas, possivelmente, isso será um complicador para eles”, opina.

Rússia
No sábado (5/12), a Rússia anunciou que estava aplicando a Sputnik V na população de Moscou. Por ter um sistema de aprovação de imunizantes diferente dos países ocidentais, a iniciativa não foi tão comemorada como o anúncio inglês. “O país começou a aplicar antes do fim da fase 3, mas esperamos que de lá também venham boas notícias sobre o controle da pandemia”, comenta Urbaez.

Brasil
Na segunda-feira (7/12), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que espera iniciar a vacinação com a Coronavac em 25 de janeiro de 2021. Os planos de Doria, entretanto, podem esbarrar nas etapas necessárias para o registro do medicamento, que é responsabilidade da Anvisa.

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