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Saúde

Estudo descobre como corpo mantém a energia em dietas sem carboidratos

Pesquisa brasileira mostra que o organismo muda de caminho para produzir glicose sem carboidratos e gastando menos energia

15/06/2026 13:55
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Maryna Terletska/Getty Images
Fígado humano em fundo claro. Anatomia humana. Órgãos humanos. Saúde. Assistência médica. Uma visão alternativa da anatomia humana. Metrópoles

Tendo como inspiração os urubus, que têm dieta composta praticamente de proteínas e, ainda assim, possuem energia para voar e caçar, pesquisadores brasileiros descobriram como o corpo sobrevive com dietas sem carboidratos.

Em testes feitos em camundongos, os cientistas perceberam que o organismo troca de caminho para manter a produção de glicose pelo fígado em níveis aceitáveis, gastando pouca energia para produzi-la. O estudo foi publicado na revista científica American Journal of Physiology-Endocrinology and Metabolism em outubro de 2025.

Os cientistas da Faculdade de Medidina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) alimentaram camundongos adultos com uma dieta formada por 86% de proteínas, 8% de gorduras e 6% de uma mistura de sais e vitaminas durante 30 dias. Os animais não receberam nenhuma forma de carboidrato.

Foram monitorados peso, glicemia e consumo alimentar dos ratinhos e, desde a primeira semana de acompanhamento, eles apresentaram níveis de glicose mais baixos do que o grupo controle, que consumiu um cardápio equilibrado entre proteínas e carboidratos.

Segundo os pesquisadores, testes moleculares mostraram que, em princípio, o fígado era estimulado pelo glucagon (hormônio que acusa a queda de açúcar no sangue) para produzir a glicose e usava uma proteína chamada CREB.

Fígado troca de caminho para sobreviver sem carboidratos

Porém, esse caminho deixa de funcionar com o passar do tempo, e o órgão se torna resistente ao glucagon. A partir daí, o fator de transcrição FoxO1 começa a participar do processo.

“Fatores de transcrição são proteínas que entram no núcleo da célula e regulam a expressão de genes específicos. No caso, o FoxO1 ativa genes de enzimas responsáveis por transformar aminoácidos em glicose, ou seja, genes da via gliconeogênica. Diferentemente do CREB, ele depende da queda da insulina para atuar e os animais em dieta hiperproteica apresentam níveis mais baixos desse hormônio”, explica a pesquisadora Ísis do Carmo Kettelhut, em entrevista à Agência Fapesp.

Os cientistas acreditam que o corpo passa de uma situação de emergência para um modo crônico de produção de glicose, que gasta menos energia e pode ser mais eficaz a longo prazo.

Também foi observado que um hormônio semelhante ao cortisol em humanos aumentou nos ratinhos que não estavam ingerindo carboidratos. Quando as glândulas adrenais, que produzem o hormônio, foram retiradas, os animais deixaram de conseguir manter a glicemia em jejum, indicando que alguns corticoides também são essenciuais nesse tipo de dieta.

A pesquisa continua, e os cientistas explicam que entender como acontece o processo é essencial para ajudar pacientes com diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer, que costumam ter essa via de produção de glicose desregulada. Com o conhecimento, eles acreditam que é possível desenvolver novos medicamentos e estratégias terapêuticas para esse público no futuro.

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