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Saúde

Cientistas descobrem como vírus da gastroenterite invade as células

Estudo revela mecanismo de infecção do astrovírus humano e indica novas possibilidades para o desenvolvimento de vacinas e terapias

03/11/2025 16:46, atualizado 03/11/2025 17:24
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Getty Images
Partículas de astrovírus, ilustração. Eles contêm um genoma de ácido ribonucleico (RNA) de fita simples envolto por um revestimento proteico externo icosaédrico (de 20 lados) não envelopado (capsídeo, azul). Metrópoles

Uma pesquisa publicada nesta segunda-feira (3/11) revela como o astrovírus humano, uma das principais causas de gastroenterite viral, consegue entrar nas células do corpo.

O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, identificou a estrutura usada pelo vírus para se ligar às células humanas. Os resultados publicados na revista Nature Communications ajudam a compreender uma etapa essencial do ciclo de vida do vírus e a analisar novas estratégias para o desenvolvimento de vacinas e terapias.


O que é o astrovírus?

  • O vírus é uma das principais causas de gastroenterite viral, doença que provoca vômitos, diarreia e febre, especialmente em crianças pequenas e idosos.
  • Em regiões de baixa renda, a infecção agrava quadros de desnutrição e compromete o desenvolvimento infantil.
  • Até hoje, não há vacinas disponíveis para combater o astrovírus humano.

Como o astrovírus entra no corpo

Nos últimos anos, os cientistas descobriram que o astrovírus se liga a uma proteína presente nas células humanas, chamada receptor neonatal Fc. Essa proteína é responsável por transportar anticorpos da mãe para o bebê durante a amamentação e continua atuando ao longo da vida na circulação de anticorpos e outras moléculas de defesa.

O novo estudo detalhou como ocorre essa ligação. Em laboratório, os cientistas recriaram versões do vírus e do receptor para observar onde exatamente ocorre a interação. Por meio da cristalografia de raios X, técnica que permite visualizar proteínas em nível atômico, eles descobriram que o vírus se conecta ao mesmo ponto do receptor usado pelos anticorpos.

Segundo a professora Rebecca DuBois, o astrovírus aproveita uma via natural do organismo para invadir as células. Ela explica que compreender esse mecanismo é essencial para desenvolver formas de impedir que o vírus se replique dentro do corpo.

Perspectivas para vacinas e tratamentos

Os cientistas destacam que já existem medicamentos aprovados pela FDA (agência reguladora dos Estados Unidos) que atuam na mesma via dos anticorpos explorada pelo vírus. Essa semelhança pode facilitar a adaptação de tratamentos já disponíveis para combater o astrovírus, reduzindo o tempo de desenvolvimento de novas terapias.

“Descobrimos uma parte realmente importante do ciclo de vida do vírus e sabemos agora onde ocorre essa interação com o receptor humano. Isso permite pensar em vacinas que possam atingir esse ponto e bloquear a infecção”, afirmou DuBois.

A equipe pretende continuar as investigações sobre vacinas e possíveis tratamentos capazes de impedir a ação do astrovírus no organismo.

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