Pesquisa mostra ação do vírus oropouche em imagens de microscopia

Estudo da Fiocruz mostra o ciclo de infecção do vírus oropouche e abre caminho para novas pesquisas sobre prevenção e terapias

atualizado

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Débora Ferreira Barreto Vieira, IOC/Fiocruz/Divulgação
Partícula do vírus Oropouche registrada em microscopia eletrônica de transmissão. Metrópoles
1 de 1 Partícula do vírus Oropouche registrada em microscopia eletrônica de transmissão. Metrópoles - Foto: Débora Ferreira Barreto Vieira, IOC/Fiocruz/Divulgação

Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) conseguiram registrar detalhes do comportamento do vírus oropouche, ligado a casos recentes da doença em várias regiões do Brasil.

Por meio de microscopia eletrônica de transmissão, a equipe isolou o vírus a partir de um paciente e registrou imagens ampliadas em cerca de 50 mil vezes, mostrando como o microrganismo se replica nas células.


O que é a febre oropouche?

  • A febre oropouche é causada por um arbovírus do gênero Orthobunyavirus, identificado pela primeira vez no Brasil em 1960.
  • Desde então, foram registrados casos isolados e surtos, principalmente na região amazônica, considerada área endêmica da doença.
  • Os sintomas são semelhantes aos da dengue e incluem dor de cabeça intensa, dores musculares, náusea e diarreia.
  • A transmissão acontece principalmente pelo inseto Culicoides paraensis, mais conhecido como maruim ou mosquito-pólvora.
  • O vírus permanece no inseto por alguns dias após picar uma pessoa ou animal infectado, e é transmitido quando o inseto pica alguém saudável.

O estudo, publicado na revista Viruses em março, analisou uma cepa da linhagem Orov BR-2015-2024, ligada aos surtos recentes. A amostra foi coletada de um paciente em Piraí, no Vale do Paraíba, em 2024, e o sequenciamento genético do vírus foi feito pelo Laboratório de Arbovírus e Vírus Hemorrágicos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Entendendo a infecção

As imagens revelam detalhes do ciclo do vírus dentro das células, incluindo sua presença na membrana celular, no citoplasma, em vesículas e no complexo de Golgi. Durante a infecção, o vírus causa alterações em várias estruturas celulares e leva à formação de corpos apoptóticos, fragmentos resultantes da morte programada das células.

Segundo os pesquisadores, compreender como o oropouche se replica ajuda a entender a evolução da doença e possíveis mecanismos de escape das defesas do organismo.

O estudo também confirmou que células Vero, derivadas de rim de macaco, são um bom modelo para testes com o vírus. O modelo facilita a padronização de experimentos e comparações com outros arbovírus, como dengue. Pesquisadores planejam usar técnicas avançadas de microscopia para criar modelos tridimensionais das estruturas envolvidas na infecção.

Imagens do vírus Oropouche foram captadas na Plataforma de Microscopia Eletrônica. Metrópoles
Imagens do vírus oropouche foram captadas na plataforma de microscopia eletrônica

O vírus no Brasil

Com histórico de surtos na Amazônia, o vírus oropouche se espalhou para diversas regiões do país em 2024. Até 18 de agosto deste ano, o Ministério da Saúde registrou cerca de 11,9 mil casos em 19 estados, incluindo cinco óbitos confirmados e dois em investigação.

A transmissão ocorre pela picada do inseto Culicoides paraensis, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora, e provoca sintomas semelhantes aos de outras arboviroses, como a dengue, incluindo febre alta, dor de cabeça, dores musculares, náusea e diarreia.

Não há tratamento específico, mas acompanhamento médico e repouso ajudam na recuperação. A prevenção inclui evitar a exposição aos maruins, usar roupas que cubram o corpo, manter terrenos limpos e instalar telas em portas e janelas.

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