Comer alimentos crus na gravidez eleva risco de infecção por microrganismos
Alimentos crus podem transmitir microrganismos à mãe, o que pode trazer consequências graves ao bebê

A gravidez é um período em que a mulher precisa reforçar alguns cuidados para que tanto ela quanto o bebê tenham saúde plena até o fim da gestação. Uma das principais preocupações está relacionada à alimentação.
Isso porque, dependendo do preparo, certos alimentos consumidos crus podem transmitir microrganismos perigosos à mulher, já que nesse período o organismo feminino passa por um momento de maior vulnerabilidade imunológica.
“Durante a gestação, alterações do sistema imunológico aumentam a vulnerabilidade a algumas infecções transmitidas por alimentos. Além disso, certos agentes podem atravessar a placenta ou afetar a gestação, com consequências potencialmente graves para o feto, mesmo quando a mãe apresenta sintomas leves”, explica a nutricionista Virgínia Nunes Lima, conselheira do Conselho Federal de Nutrição (CFN).

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Ver todasNa lista de alimentos com maiores riscos se consumidos crus ou insuficientemente cozidos, estão carnes, aves, pescados, frutos do mar e ovos. “Leite cru e produtos não pasteurizados; frutas, verduras e legumes sem lavagem e sanitização adequadas; e preparações expostas à contaminação cruzada também são perigosos”, alerta Virgínia.
Alimentos da culinária japonesa, muito conhecidos por serem consumidos justamente crus, como sushis e sashimis, também estão na lista de cautela para ingestão durante a gravidez, pois peixes crus podem transmitir bactérias e parasitas. “Para gestantes que não dispensam uma comida japonesa, a dica é optar por opções completamente cozidas ou pratos vegetarianos”, alerta a nutricionista.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e CiênciaQuais microrganismos podem trazer consequências graves ao bebê?
Entre os agentes infecciosos que podem ser transmitidos por alimentos crus ou pouco cozidos estão:
- Listeria monocytogenes: capaz de provocar aborto, óbito fetal, parto prematuro ou infecção grave ao recém-nascido, enquanto a mãe apresenta apenas sintomas mais leves, como febre, cansaço e dores musculares.
- Toxoplasma gondii: agente responsável por causar a toxoplasmose, infecção que pode ser transmitida ao feto e causar sequelas graves, como inflamação cerebral, microcefalia, hidrocefalia e problemas na visão.
- Salmonella spp., Escherichia coli e Campylobacter spp.: esses agentes podem causar problemas gastrointestinais, febre e desidratação.
Além dos alimentos crus, consumir comidas que tiveram contato com água ou superfícies contaminadas também pode transmitir vírus perigosos à gestante e ao bebê, como o norovírus e o vírus da hepatite A.
“Os agentes infecciosos não estão vinculados somente a alimentos visivelmente crus. A listeria também pode ocorrer em alimentos prontos, refrigerados e produtos não pasteurizados; a toxoplasma está associado sobretudo a carnes cruas ou malpassadas, água e vegetais contaminados; a salmonella pode estar em ovos, aves e outros alimentos”, ressalta Virgínia.
Comi um alimento cru na gravidez. O que devo fazer?
A principal medida é manter a calma. O consumo de um alimento cru não significa necessariamente que a gestante irá se contaminar com algum agente infeccioso perigoso. “Se uma grávida consumir um alimento de risco, o primeiro passo deve ser conversar com seu médico para receber orientações e, em seguida, monitorar se há sintomas. Caso os desenvolva, é importante procurar atendimento especializado”, recomenda a ginecologista Helga Marquesini, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
Entre os principais sinais de alerta após o consumo, estão febre, mal-estar, dores musculares semelhantes à gripe, náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal, sangue nas fezes ou sinais de desidratação, como pouca urina, boca seca e tontura.
Segundo as especialistas, engravidar não significa ter uma alimentação restrita, mas sim tomar cuidados redobrados na seleção e preparo dos alimentos. Atitudes simples, como lavar as mãos, usar água e matérias-primas seguras, cozinhar os alimentos completamente, verificar se leite, queijos e sucos são pasteurizados e olhar a validade, armazenamento e procedência dos produtos, são essencias para evitar riscos.
“Em refeições fora de casa, é prudente escolher estabelecimentos com boas condições higiênico-sanitárias e preferir preparações feitas na hora e servidas bem quentes”, diz Virgínia.



