Inflamação na gravidez pode alterar formação do cérebro fetal, diz estudo
Pesquisa com tecido humano mostra como inflamação na gravidez altera a formação do cérebro fetal e interfere no desenvolvimento inicial

A ativação do sistema imunológico durante a gravidez pode interferir diretamente na formação do cérebro do feto. Um novo estudo publicado na revista Nature Neuroscience em 11 de agosto, identificou uma via biológica que ajuda a explicar como esse processo ocorre.
A relação entre inflamação materna e maior risco de alterações no neurodesenvolvimento já vinha sendo observada em pesquisas anteriores. O que ainda faltava era entender como esse efeito acontece no cérebro humano em desenvolvimento.
Modelo com tecido humano
Para investigar o mecanismo, os pesquisadores da Universidade de Aberdeen, na Escócia, criaram os chamados cerebroides — fragmentos tridimensionais de tecido do córtex cerebral humano mantidos em laboratório. Diferente dos organoides, esses modelos preservam melhor a estrutura e a organização do tecido original.
O material foi obtido a partir de tecido fetal humano do córtex pré-frontal. Com esse modelo, a equipe conseguiu observar de forma direta como sinais inflamatórios afetam o cérebro em formação.
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Ver todasOs cientistas expuseram os cerebroides à IL-17A, uma proteína associada à resposta imune materna. A partir disso, analisaram mudanças na estrutura do tecido e no comportamento das células.
Alterações no desenvolvimento
A exposição à IL-17A levou a mudanças claras no desenvolvimento do córtex. Os pesquisadores observaram aumento da espessura do tecido, dobramento precoce e aceleração na produção e maturação de neurônios.
Segundo os autores, a proteína atua diretamente sobre células-tronco neurais. O estudo também identificou a ativação contínua de uma via chamada NF-κB, ligada a processos inflamatórios.
Quando essa via foi bloqueada, parte das alterações foi revertida. O resultado indica que o mecanismo pode ser um dos responsáveis pelas mudanças observadas.
O que os dados indicam
Os pesquisadores ressaltam que o estudo não demonstra que a inflamação materna cause doenças específicas. O trabalho mostra como sinais inflamatórios podem modificar etapas iniciais da formação do cérebro.
A identificação dessa via ajuda a orientar novas pesquisas sobre o tema. A equipe pretende agora investigar como diferentes tipos de células cerebrais respondem à inflamação e se outras regiões do cérebro apresentam reações semelhantes.
Também estão em desenvolvimento novos modelos baseados em células humanas para aprofundar a análise. O objetivo é entender melhor em quais condições o cérebro em formação se torna mais sensível a esses sinais.



