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Saúde

Estudo testa combinação de remédios para reduzir danos após AVC

Medicamentos já usados na prática clínica desaceleraram o metabolismo e protegeram o cérebro em testes com animais

24/06/2026 12:43
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Getty Images
Foto colorida de raio-X de cérebro - Metrópoles

Pesquisadores da Universidade Médica da Capital, em Pequim, estão investigando uma nova estratégia para reduzir os danos causados por um acidente vascular cerebral (AVC). O método utiliza dois medicamentos já conhecidos, a clorpromazina e a prometazina, para induzir um estado de metabolismo mais lento que pode ajudar a preservar o tecido cerebral após o evento.

A pesquisa, publicada na revista Science Translational Medicine em 17 de junho, foi realizada em camundongos, macacos rhesus e também em um pequeno estudo inicial com pacientes que sofreram AVC isquêmico agudo, o tipo mais comum da doença, causado pela interrupção do fluxo sanguíneo para o cérebro.

Como funciona a estratégia

Quando ocorre um AVC, a falta de sangue e oxigênio provoca danos às células cerebrais. Mesmo após a restauração da circulação por meio dos tratamentos convencionais, parte dessas lesões pode continuar se desenvolvendo. Por isso, cientistas buscam formas de proteger o cérebro durante esse período crítico.

No novo estudo, os pesquisadores testaram uma combinação de clorpromazina e prometazina, chamada de C+P. A proposta era induzir um estado semelhante à hipotermia terapêutica, técnica que reduz a temperatura corporal para desacelerar o metabolismo e diminuir o consumo de energia pelas células.

Segundo os autores, a combinação dos medicamentos não apenas reduziu a temperatura corporal dos animais, mas também diminuiu o consumo de oxigênio e o gasto energético, sinais de que o organismo entrou em um estado metabólico mais lento.

Menos danos cerebrais em animais

Nos testes com camundongos e macacos, o tratamento foi associado a menor dano ao tecido cerebral após o AVC. Os pesquisadores observaram ainda redução do acúmulo de lactato, substância que pode se elevar quando as células sofrem falta de oxigênio e que está relacionada à morte celular.

Outro achado foi a diminuição da utilização de glicose pelo cérebro e pela gordura marrom, tecido especializado na produção de calor. Esses resultados reforçam a hipótese de que a proteção observada está ligada à desaceleração do metabolismo.

Primeiro teste em humanos

A equipe também realizou um estudo preliminar de segurança com 32 pacientes que sofreram AVC. Os participantes receberam o tratamento em conjunto com as terapias convencionais usadas para restaurar o fluxo sanguíneo cerebral.

Os resultados mostraram que a infusão foi bem tolerada e não provocou efeitos adversos importantes. Os pacientes que receberam as doses mais altas apresentaram redução da temperatura corporal e alterações em marcadores relacionados ao metabolismo.

No entanto, o estudo não encontrou diferenças significativas no grau de lesão cerebral observado após o tratamento nem na capacidade dos pacientes realizarem atividades do dia a dia após 90 dias de acompanhamento.

Próximos passos

Os autores destacam que os resultados ainda são iniciais e que estudos maiores serão necessários para determinar se a estratégia realmente pode melhorar a recuperação após um AVC.

Apesar de os benefícios clínicos ainda não terem sido demonstrados em humanos, os dados sugerem que a combinação dos medicamentos consegue induzir alterações metabólicas semelhantes às observadas nos experimentos com animais.

Segundo os pesquisadores, futuras pesquisas deverão avaliar se esse efeito pode se traduzir em proteção cerebral efetiva e em melhores resultados para os pacientes.

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