Cigarros eletrônicos: entenda por que eles estão na berlinda

Os dispositivos eletrônicos para fumar estão sendo associados a uma doença misteriosa nos EUA. Desde 2009, a venda está proibida no Brasil

atualizado 17/12/2019 5:57

Reprodução/ Tua Saúde

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) fez na semana passada um alerta sobre o uso de cigarros eletrônicos — também conhecido como vaper, e-cigarette, e-cigar ou apenas cigarro aquecido. A instituição destacou o risco trazido por inúmeras substâncias tóxicas, na maioria aditivos com sabores de nicotina, que causam dependência química. Nos Estados Unidos, essa modalidade – o vaping – está relacionada a pelo menos 52 mortes, 4 recentes.

Este tipo de cigarro foi introduzido no mercado como sendo uma boa opção para substituir o cigarro convencional, já que não necessita queimar tabaco para liberar a nicotina e também não libera algumas das substâncias tóxicas do cigarro convencional, resultantes da queima do tabaco.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) relatou até sexta-feira (13/11/2019) 118 casos de hospitalizações em 50 Estados. O número de pessoas que foram internadas com problemas respiratórios chega a 2.409.

Brasil
Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), três casos de doenças pulmonares ligados ao uso de cigarros eletrônicos foram relatados no país, mas não há detalhes a respeito.

Em informe recente, o Inca destaca que os dispositivos também são responsáveis por acidentes como explosões das baterias. Além disso, estudos científicos demonstram que a chance de um jovem começar a fumar cigarros convencionais quadruplica a partir do uso dos dispositivos eletrônicos.

A proibição de comercialização do produto no Brasil foi emitida pela Anvisa em 2009 (RDC 46/2009) pela falta de dados científicos que comprovem a eficiência, a eficácia e segurança dos cigarros eletrônicos, mas essa proibição é apenas sobre a venda, a importação ou a propaganda do aparelho.

Assim, e embora exista uma proibição, o cigarro eletrônico pode continuar a ser usado legalmente, desde que tenha sido comprado antes de 2009 ou fora do Brasil. Porém, várias entidades reguladoras da saúde estão tentando proibir de vez esse tipo de dispositivo devido aos possíveis riscos para a saúde. O uso dele também tem sido desaconselhado por especialistas na área, entre os quais a Associação Médica Brasileira.

Quais os possíveis riscos para a saúde
O primeiro grande risco do uso do cigarro eletrônico se relaciona diretamente com o fato de ele liberar nicotina. A nicotina é uma das substâncias mais viciantes já conhecidas, por isso, pessoas que utilizam qualquer tipo de dispositivo que libere nicotina, seja o cigarro eletrônico ou o convencional, terão maior dificuldade em deixar de fumar, devido à dependência que essa substância provoca no cérebro.

A nicotina é liberada na fumaça que é lançada no ar, tanto pelo aparelho, como pela expiração do utilizador. Isso faz com que as pessoas ao redor também inalem a substância. Isso é mais grave no caso de mulheres grávidas, por exemplo, que, quando expostas à nicotina aumentam o risco de malformações neurológicas no feto.

Além disso, apesar do cigarro eletrônico não ter muitas das substâncias tóxicas liberadas pela queima do tabaco, existem outras substâncias que são cancerígenas. Em um documento oficial lançado pelo Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), é possível ler que o aquecimento do solvente que carrega a nicotina no cigarro eletrônico, quando queimado a mais de 150ºC, libera dez vezes mais formaldeído que o cigarro convencional, uma substância com comprovada ação cancerígena. Outros metais pesados também têm sido encontrados no vapor liberado por estes cigarros e podem ser ligados ao material utilizado para a sua construção.

Por fim, as substâncias químicas usadas para criar o sabor dos cigarros eletrônicos também não têm comprovação de que são seguras a longo prazo.

Doença “misteriosa”
Desde que o uso dos cigarros eletrônicos começou a se tornar mais popular, cresceu o número de pessoas internadas em hospitais dos Estados Unidos cuja a única relação em comum era o uso desse tipo de cigarro com essências. No início, essa doença começou a ser denominada doença misteriosa, sendo os principais sintomas associados:

  • Falta de ar;
  • Tosse;
  • Vômitos;
  • Febre;
  • Cansaço excessivo.

Esses sintomas duram vários dias e podem deixar a pessoa bastante debilitada. Apesar da causa não ser certa, acredita-se que os sintomas de insuficiência respiratória estejam relacionados com as substâncias colocadas no cigarro, podendo ser consequência da exposição a substâncias químicas.

O cigarro eletrônico ajuda a deixar de fumar?
Segundo a Sociedade Torácica Americana, os vários estudos feitos sobre a ação dos cigarros eletrônicos para ajudar a deixar de fumar não mostraram qualquer efeito ou relação e, por isso, o cigarro eletrônico não está na mesma categoria de outros produtos que têm ação comprovada para o abandono do vício, como os adesivos ou os chicletes de nicotina.

Os adesivos reduzem gradualmente a quantidade de nicotina que é liberada, ajudando o corpo a abandonar a dependência, enquanto que o cigarro libera sempre a mesma quantidade, além de não existir regulação para a dose de nicotina que cada marca coloca nos líquidos usados no cigarro.

Além de tudo isso, o cigarro eletrônico pode até contribuir para o aumento do vício na nicotina e no tabaco, já que os sabores de aparelho apelam para um grupo mais jovem, que pode acabar desenvolvendo o vício e iniciando o uso do tabaco. (Com informações do portal Tua Saúde e da Agência Estado)

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