EUA registra as 4 primeiras mortes relacionadas ao cigarro eletrônico

Os e-cigarettes estão sendo investigados como responsáveis por uma doença pulmonar fatal. O CDC emitiu comunicado desaconselhando o consumo

Ethan Parsa/PixabayEthan Parsa/Pixabay

atualizado 09/09/2019 16:56

O uso de cigarros eletrônicos está enfrentando uma onda reversa nos Estados Unidos. Os dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs) estão sendo investigados como responsáveis por uma doença pulmonar fatal. Quatro americanos já morreram devido ao problema, todos ex-usuários da modalidade. O primeiro caso aconteceu em abril.

Duas das quatro mortes foram confirmadas na última sexta-feira (06/09/2019): uma no estado de Indiana e outra em Minnesota. As outras duas aconteceram em Ilinois e no Oregon. O departamento de saúde pública de Los Angeles investiga se outro falecimento também estaria relacionado ao uso do produto.

Também na sexta-feira (06/09/2019), o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) divulgou comunicado aconselhando os americanos a não usarem cigarros eletrônicos. O órgão acredita que cerca de 450 casos da “doença misteriosa” estão diretamente relacionados ao vaper.

Apesar de não haver evidências de infecções causadas pelos dispositivos, todos os registros envolveram usuários de cigarros eletrônicos. A suspeita é de que as pessoas tenham sido expostas a substâncias contaminantes produzidas pelos e-cigarretes.

Os principais sintomas que levaram pacientes à internação, segundo o CDC, incluem tosse, dor no peito e falta de ar. Náusea, vômito, diarreia, fadiga, febre e perda de peso também foram sinais apresentados. Diversos indivíduos desenvolveram a síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA), condição resultante de doenças que causam acúmulo de líquidos nos pulmões e redução do nível de oxigênio no sangue.

Agora, a Food and Drug Administration (FDA), agência norte-americana que regulamenta remédios e alimentos, analisa amostras de produtos utilizados pelos pacientes que desenvolveram a doença e os testa com diversos produtos químicos, incluindo THC, o princípio ativo da maconha. Por enquanto, o órgão identificou em várias amostras a presença de acetato de vitamina E, um óleo derivado de vitamina E, mas as autoridades ainda não têm certeza de como e se a substância está relacionada ao desenvolvimento da doença.

Em um editorial feito para a publicação especializada em saúde The New England Journal of Medicine, o médico David C. Christiani, de Harvard, escreveu que há pelo menos seis grupos de componentes potencialmente tóxicos nos vapers. A maioria dos usuários que ficaram doentes, segundo o médico, utilizou essências com nicotina e maconha. A mistura de ingredientes produziria novos agentes químicos – que podem ser tóxicos.

De acordo com pesquisa feita em 2018 pelo Johns Hopkins Ciccarone Center for the Prevention of Heart Disease, um em cada 20 norte-americanos são usuários de cigarros eletrônicos — algo em torno de 10,8 milhões de pessoas. Mais da metade deles têm menos de 35 anos. O vaper é proibido no Brasil, mas a pressão para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reveja a orientação é grande. No momento, o assunto está em audiência pública.

Os cigarros eletrônicos são dispositivos operados por bateria que aquecem essências, produzindo um aerossol que será inalado pelo usuário. O ato de inalar o vapor é chamado de “vaping”. O líquido geralmente contém nicotina, aromatizantes e outros produtos químicos, mas alguns usuários incluem substâncias derivadas da maconha.

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