Cardiologista explica vantagens e riscos dos treinos ao ar livre

Apesar de diversos benefícios, essa escolha também exige cuidados maiores com a saúde. Saiba quais são eles e como garantir um treino seguro

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Angel Santana/ Getty Images
Foto com foco em pernas de homem subindo escadas - Fazer exercício físico pode rejuvenescer o seu cérebro, aponta estudo - Metrópoles
1 de 1 Foto com foco em pernas de homem subindo escadas - Fazer exercício físico pode rejuvenescer o seu cérebro, aponta estudo - Metrópoles - Foto: Angel Santana/ Getty Images

Há quem prefira praticar exercícios ao ar livre, em vez do ambiente luminoso e barulho das academias. Essa escolha tem diversas vantagens, mas também exige certo planejamento para minimizar riscos à saúde.

“Treinar ao ar livre pode trazer benefícios como a melhora do bem-estar mental ao se aproximar da natureza e a melhor produção de vitamina D. Entretanto, temos que tomar alguns cuidados”, alerta o cardiologista e médico do esporte Leandro Echenique, do Einstein Hospital Israelita.

“Nelas há maior exposição solar combinada com menor disponibilidade de água, o que aumenta o risco de desidratação e estresse térmico”, explica o médico.

A decisão entre espaços abertos ou academias fechadas deve considerar condições térmicas, além do nível de adaptação do organismo ao esforço físico. O público que mais deve ter atenção são crianças e idosos. No caso dos pequenos, eles sofrem por não se atentarem aos sinais de indisposição que a exposição ao calor pode gerar, além de desidratarem com menor velocidade.

os idosos sentem menos sede e tendem a se hidratar menos, além de suarem menos, o que os faz mais predispostos a quadros graves de estresse térmico. Pessoas com doenças cardiovasculares, como pressão alta, também devem ficar mais atentas, já que a temperatura e o nível de hidratação afetam a circulação sanguínea.

Como o esforço sob calor intenso impõe maior carga ao sistema cardiovascular, a realização de exercícios ao ar livre deve ser feita preferencialmente antes das 9 horas ou após as 18 horas. O uso de boné, protetor solar e roupas leves e claras também reduz os impactos do calor.

E não deixe para beber água apenas quando sentir sede: consuma ao menos 500 ml antes da prática e vá se reidratando ao longo dela, idealmente bebendo ao menos 250 ml a cada hora de exposição.

“É importante ficar de olho na temperatura. Pessoas que se exercitam em dias muito quentes podem apresentar fadiga precoce e queda de desempenho, queimaduras solares e até cãibras”, alerta Echenique. “Ao ter qualquer um desses sintomas, como falta de ar, tontura e cansaço excessivo, a recomendação é parar imediatamente, buscar sombra e ambiente fresco, hidratar-se bem e, se os sintomas persistirem ou se agravarem, procurar atendimento médico de urgência”, orienta o cardiologista.

Em dias de calor extremo, a insolação pode levar a elevação da temperatura corporal acima de 40 °C, configurando uma emergência médica potencialmente fatal. Os sintomas iniciais podem ser inespecíficos e variar conforme o contexto, incluindo sede, mal-estar e alterações da sudorese, mas a evolução pode ser rápida e abrupta.

Na ausência de atendimento imediato, manifestações como náusea e tontura podem progredir para sinais neurológicos graves, como confusão mental, cefaleia intensa, vômitos, síncope e até convulsões. Palpitações e a interrupção súbita da transpiração são frequentemente subestimados e estão associados a pior prognóstico.

Cuidados também com a dose de exercícios

Além dos efeitos associados ao calor, é preciso ter atenção a outro perigo: ultrapassar os próprios limites. Em busca de resultados rápidos e de melhora acelerada do condicionamento físico, muitas pessoas aumentam de forma abrupta tanto a carga quanto a frequência dos treinos.

“Temos muita gente tentando cumprir suas metas de Ano-Novo, muitas vezes também como resultado de uma pressão social. O grande problema disso é que o entusiasmo inicial supera a noção realista da condição física atual e da necessidade de evolução gradativa, aumentando muito o risco de lesões, torções e fraturas por conta desses exageros”, adverte Leandro Echenique.

Lesões musculares aparecem com frequência nesse contexto, principalmente na coxa, panturrilha e região lombar, já que muitas das atividades ao ar livre envolvem caminhadas ou passeios de bicicleta. Tendinites e torções também podem aparecer, além as temidas fraturas.

A orientação para quem está começando uma rotina de atividades é ter paciência. “Sair do sedentarismo é uma meta a ser atingida. Os benefícios da atividade física são inúmeros e sempre são maiores que os riscos que podem surgir com o aumento da intensidade do exercício, mas é recomendado fazer uma avaliação médica antes de começar a prática e ir devagar no começo”, indica o cardiologista.

Para quem era sedentário, a frequência inicial indicada é não fazer mais do que três sessões de exercício semanais e tentar fazer meia hora de treino por dia, para criar o hábito e permitir o fortalecimento muscular que leva à adaptação do corpo à prática. “O aumento do volume deve ocorrer de maneira progressiva, respeitando respostas individuais ao esforço”, conclui o especialista.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSaúde

Você quer ficar por dentro das notícias de saúde mais importantes e receber notificações em tempo real?