Caldo de ossos merece a fama? Veja os benefícios reais e o que é mito

Caldo de ossos pode nutrir, mas ciência diz que efeitos são limitados. Veja quando faz sentido consumir a sopa no dia a dia

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Foto colorida. Vista de alto ângulo de caldo de osso caseiro saudável em uma tigela de vidro na mesa branca. Os ingredientes para cozinhar o caldo de osso estão por todo o recipiente - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida. Vista de alto ângulo de caldo de osso caseiro saudável em uma tigela de vidro na mesa branca. Os ingredientes para cozinhar o caldo de osso estão por todo o recipiente - Metrópoles - Foto: fcafotodigital/ Getty Image

O caldo de ossos ganhou espaço nos últimos anos como um suposto alimento funcional associado à melhora da pele, articulações e intestino. A base é simples: ossos, cartilagens e tecidos conjuntivos que são cozidos por longos períodos, liberando compostos nutritivos.

Apesar da fama, boa parte dessa popularidade vem de tradição culinária e redes sociais, não de evidência científica robusta. Isso não significa que ele não tenha valor, mas sim que os benefícios costumam ser superestimados.

Quais nutrientes o caldo de ossos realmente oferece

O caldo de ossos contém proteínas em forma de gelatina, aminoácidos como glicina e prolina, além de minerais como cálcio, magnésio e fósforo.

De acordo com o nutricionista Lucas Moraro, que atende no Rio de Janeiro, a quantidade de proteína pode variar entre dois e 10 gramas por xícara. Já os minerais aparecem em níveis relativamente baixos — o cálcio, por exemplo, pode chegar a no máximo 50 mg por porção, bem abaixo de outras fontes alimentares.

A nutricionista Thays Pomini, que atende em São Paulo, destaca que o caldo de ossos pode contribuir para a dieta, mas não é uma fonte nutricional tão potente quanto muitos imaginam.

Colágeno e saúde: onde estão os exageros

Grande parte da fama do caldo de ossos vem do colágeno, associado à melhora da pele e das articulações. Mas existe uma falha nessa lógica.

Durante a digestão, o colágeno é quebrado em aminoácidos e pequenos peptídeos, que são usados pelo organismo de forma geral, sem destino específico. Ou seja, não há garantia de que esse consumo vá impactar diretamente pele ou articulações.

Além disso, a produção de colágeno depende de vários fatores, como ingestão adequada de proteínas, vitamina C e estímulos no corpo. Por isso, esperar resultados estéticos relevantes apenas com caldo de ossos é uma expectativa irreal.

Quando o caldo de ossos pode valer a pena

Mesmo com limitações, o caldo de ossos pode ser útil em situações específicas. Ele é leve, de fácil digestão e pode ajudar em períodos de recuperação, baixa ingestão alimentar ou dificuldade de mastigação. Também funciona bem como base culinária, enriquecendo refeições de forma prática.

Mas aqui vai o ponto crítico: para quem já tem uma alimentação equilibrada, o impacto tende a ser pequeno. O caldo de ossos pode complementar, mas não substitui uma dieta adequada nem funciona como tratamento isolado para saúde intestinal, imunidade ou estética.

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