Pesquisa indica que o café pode reduzir a eficácia de antibióticos

Estudo alemão mostra que a cafeína pode reduzir a absorção de antibióticos por algumas bactérias, afetando a eficácia do tratamento

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Café latte fresco sobre uma mesa branca, uma bebida de café feita com expresso e leite vaporizado. Metrópoles
1 de 1 Café latte fresco sobre uma mesa branca, uma bebida de café feita com expresso e leite vaporizado. Metrópoles - Foto: Frank Lee/Getty Images

Uma simples xícara de café pode não ser tão inofensiva quando combinada com antibióticos. Pesquisadores alemães identificaram que a cafeína pode diminuir a absorção de alguns medicamentos por bactérias como a Escherichia coli, um efeito que pode interferir na ação de antibióticos.

No trabalho, publicado em 22 de julho na revista PLOS Biology, os cientistas analisaram como 94 substâncias químicas diferentes afetavam o funcionamento da E. coli, especialmente os sistemas que controlam o que entra e sai das células bacterianas.

Entre todas as substâncias testadas, a cafeína se destacou ao reduzir a captação de antibióticos, incluindo a ciprofloxacina.

“Nossos dados mostram que diversas substâncias podem influenciar sutil, mas sistematicamente, a regulação genética em bactérias”, diz o microbiologista Christoph Binsfeld, da Universidade de Würzburg, na Alemanha, em comunicado.

Mecanismo observado em laboratório

A pesquisa faz parte de um esforço para compreender a chamada resistência de baixo nível a antibióticos. Diferente da resistência completa, em que as bactérias se tornam imunes a um medicamento, esse fenômeno envolve mudanças discretas no funcionamento dos genes e na resposta das células ao ambiente.

A equipe descobriu que uma proteína chamada Rob tem papel central nesse processo. Ao ser ativada pela cafeína, ela desencadeia uma cascata de alterações que culminam na redução da absorção de antibióticos.

“Esse mecanismo afeta diretamente proteínas de transporte na E. coli, limitando a ação do tratamento”, explica a engenheira biológica Ana Rita Brochado, da Universidade de Tübingen.

Efeitos em humanos ainda não estão claros

Os pesquisadores destacam que os experimentos foram conduzidos apenas em laboratório. Ainda não se sabe se os mesmos efeitos ocorreriam em seres humanos ou qual quantidade de café seria necessária para provocar alterações perceptíveis.

Além disso, o fenômeno não foi observado em outras bactérias, como a Salmonella enterica, o que indica que a resposta pode variar de acordo com a espécie.

Apesar das incertezas, os especialistas defendem que entender melhor esse tipo de resistência é essencial para aumentar a eficácia dos antibióticos. O próximo passo é mapear de forma mais detalhada os mecanismos de transporte entre diferentes bactérias e avaliar como substâncias presentes no cotidiano podem interferir no sucesso dos tratamentos.

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