Afinal, o que falta para começar a vacinação contra a Covid-19 no Brasil?

País aguarda a decisão da Anvisa sobre uso emergencial e a chegada das doses para dar início à imunização da população

atualizado 09/01/2021 20:01

pessoas carregando vacinaMalte Mueller/GettyImages

Com a vacinação em caráter emergencial começando em vários países, imagens de pessoas recebendo já a segunda dose do imunizante e os pedidos de uso emergencial feitos pelo Butantan e a Fiocruz nessa sexta-feira (8/1), o brasileiro está ansioso. Afinal, o que falta para começar a vacinação contra a Covid-19 por aqui?

Por enquanto, na melhor das hipóteses, segundo o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, a vacinação começaria no final de janeiro. Para o governo de São Paulo, a data é 25/1. A submissão para autorização de uso emergencial feita pelos dois institutos tem 10 dias para ser analisada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) — caso o órgão encontre algum problema com os documentos, o cronômetro é parado até que a empresa responsável forneça os papeis corretos. Se tudo estiver certo, as respostas serão dadas até o dia 18/1.

Porém, é importante lembrar que o uso emergencial permitirá a aplicação dos imunizantes em uma parcela restrita da população: a vacina de Oxford/AstraZeneca, por exemplo, pediu autorização para apenas 2 milhões de doses. Caso a aplicação de urgência seja liberada, grupos prioritários, como idosos com mais de 75 anos e profissionais de saúde, serão os primeiros da fila.

Para começar uma campanha de vacinação em massa que vá atingir todos os brasileiros, é preciso que as farmacêuticas entrem com pedido de registro junto à Anvisa. O órgão analisa vários fatores, como segurança, eficácia e boas práticas de fabricação e tem até 60 dias para analisar a documentação. Considerando a urgência do assunto, a Anvisa afirmou que tentará fechar o processo o mais rápido possível.

Neste sábado (9/1), a Anvisa disse ter concluído a triagem inicial dos documentos submetidos pela Fiocruz para autorização do uso emergencial. Segundo a agência, os dados serão utilizados em uma profunda análise para verificar se as informações essenciais sobre eficácia e resultados clínicos estão no processo para análise de uso emergencial pela equipe técnica.

Quem também já enviou os documentos à Anvisa foi o Instituto Butantan. No entanto, de acordo com a própria agência, as informações fornecidas pelo fabricante nacional da Coronavac ainda são insuficientes. Em razão da falta de dados, solicitou que o instituto apresente os documentos técnicos faltantes para submissão de solicitação de autorização temporária de uso emergencial.

Mas tem vacina?

Além da aprovação do órgão regulador, outro entrave se interpõe entre os brasileiros e as vacinas. Até o fim desta semana, o Governo Federal não tinha em mãos, comprada, nenhuma dose da vacina.

O Ministério da Saúde alega que não podia finalizar nenhuma compra de vacina enquanto não houvesse registro na Anvisa. Até então, o que o governo tinha eram reservas e acordos, mas nenhuma dose oficialmente adquirida.

Com a medida provisória das vacinas, editada nessa quarta (6/1), as regras de aquisição foram flexibilizadas e agora é possível adquirir insumos e vacinas necessários ao combate da Covid-19 com dispensa de processo licitatório e antes de autorização da Anvisa.

Segundo o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, após a MP, o governo federal comprou 100 milhões de doses da Coronavac, produzida pela Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.

“Hoje (7/1) nós assinamos com o Butantan, menos de 24h depois da medida provisória, o contrato para a entrega das primeiras 46 milhões de doses até abril e de mais 54 milhões de doses no decorrer do ano, indo a 100 milhões”, afirmou o ministro durante coletiva de imprensa.

O Butantan já tem doses prontas do imunizante e recebeu no começo de dezembro o material para produzir as próprias vacinas. O instituto já vinha fabricando doses da vacina mesmo antes do pedido emergencial à Anvisa e tem, neste momento, 10,8 milhões de doses prontas para serem usadas.

A Fiocruz, em breve, receberá 2 milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca, cuja importação foi autorizada da Índia pela Anvisa. Segundo a entidade, assim que os imunizantes chegarem ao país, seguirão para Biomanguinhos, onde serão rotulados, e estarão prontos para distribuição no dia seguinte. A partir daí,  a vacina deve demorar entre 3 a 4 dias para chegar aos postos de saúde de todo o Brasil.

Pazuello afirma ainda que há, no total, 354 milhões de doses asseguradas para o Brasil. Em ocasiões anteriores, o ministro explicou que, uma vez que o registro seja concedido, a vacinação deve começar em cinco dias.

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Datas

Durante a última live feita pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Pazuello afirmou que a vacinação deve começar em um prazo de 20 a 45 dias. Segundo ele, na melhor das hipóteses, a imunização começa em 20/1. Em um cenário intermediário, entre 20/1 e 10/2. Em último caso, entre a metade de fevereiro e início de março.

Seringa

Segundo o governo, apesar de toda a polêmica sobre a falta de seringas e agulhas e os problemas com a licitação, há material disponível em estoque  suficiente para a vacinação em janeiro.

O presidente Bolsonaro chegou a suspender a compra dos produtos até que os preços “voltem à normalidade”. Segundo representantes do setor, o valor que o governo sugere é “extremamente defasado da realidade”. A negociação continua. Há ainda um outro acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) para adquirir 190 milhões de unidades de seringas.

Na quinta (7/1), o Supremo Tribunal Federal (STF) deu cinco dias para que o governo federal informe o órgão sobre a quantidade de seringas disponíveis.

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