Ver só cinco posts já pode moldar opinião nas redes, mostra estudo
Pesquisa indica que poucas publicações bastam para influenciar crenças, mesmo quando informações são falsas
atualizado
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Bastam poucas publicações nas redes sociais para começar a moldar a opinião de alguém sobre um assunto desconhecido. Segundo um estudo publicado na revista Information Systems Research em 7 de abril, cerca de cinco exposições seguidas ao mesmo tipo de conteúdo já podem ser suficientes para criar impressões duradouras nos usuários.
A pesquisa sugere que esse processo acontece antes mesmo de muitas pessoas avaliarem se a informação é verdadeira ou não. Em vez de checar fatos, os usuários tendem a se apoiar mais na repetição, na familiaridade e na forma como a narrativa é apresentada.
Os pesquisadores afirmam que isso ajuda a entender por que conteúdos enganosos conseguem ganhar força tão rapidamente nas plataformas digitais.
“O que descobrimos é que, em condições típicas de redes sociais, as pessoas podem começar a formar impressões duradouras muito rapidamente, muitas vezes antes mesmo de avaliarem de forma significativa se a informação em si é precisa”, afirmou Ashish Kumar Jha, professor da Trinity Business School, na Irlanda, e coautor do estudo, em comunicado.
Como o estudo foi feito
Os cientistas realizaram três experimentos controlados usando publicações semelhantes às vistas no Instagram. Os participantes foram expostos a informações desconhecidas em situações que simulavam o uso cotidiano das redes sociais.
A equipe percebeu que, depois de certo ponto, chamado pelos pesquisadores de “Ponto de Informação Crítica”, os usuários passavam a acreditar com mais facilidade em conteúdos que reforçavam uma ideia já iniciada. Ao mesmo tempo, informações contrárias eram descartadas com mais rapidez.
O mais preocupante, segundo os autores, é que esse efeito continuava aparecendo mesmo quando as informações apresentadas eram falsas. Em muitos casos, os participantes reagiam da mesma maneira diante de conteúdos corretos e incorretos durante as primeiras etapas de formação de opinião.
O peso da repetição e da autoridade
Outro resultado que chamou atenção foi o papel da identidade de quem publica. Contas que transmitiam imagem de autoridade, usando títulos como “Dr.” ou referências profissionais, receberam mais confiança dos participantes, mesmo sem comprovação das credenciais.
Em alguns casos, esses perfis foram considerados mais confiáveis do que influenciadores com muitos seguidores publicando exatamente a mesma informação.
Para os pesquisadores, isso mostra que a credibilidade percebida pode ter um peso maior do que a verificação real dos fatos.
“Nossos resultados sugerem que as primeiras exposições que os usuários encontram online podem ter um peso muito maior do que as plataformas reconhecem atualmente”, disse Venu Puthineedi, professor da NEOMA Business School e coautor do estudo.
O que isso muda nas redes sociais?
O estudo surge em meio ao aumento das discussões sobre desinformação, conteúdo gerado por inteligência artificial e funcionamento dos algoritmos das plataformas.
Diferentemente de outras pesquisas sobre fake news, este trabalho não focou na circulação da desinformação depois que uma crença já está consolidada. O objetivo foi entender o momento inicial em que essas opiniões começam a surgir.
Os autores afirmam que as descobertas levantam questionamentos sobre como as redes sociais lidam com repetição de conteúdo e visibilidade de informações em situações sensíveis, como eleições, crises de saúde pública e notícias urgentes.
Segundo eles, as primeiras publicações que aparecem para um usuário podem ter um peso maior do que se imaginava na construção de crenças online.