1º de abril: cuidado com as mentiras nas redes sociais
Mesmo fora do Dia da Mentira, publicações falsas e “pegadinhas” dominam as redes sociais
atualizado
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Não precisa ser 1º de abril para ser enganado por uma mentira ou meia-verdade, contada nas redes sociais. Seja para promover um produto, colocar o nome de um artista nos assuntos mais comentados ou apenas se aproveitar da inocência dos usuários desavisados para conseguir engajamento, as “pegadinhas” e “mentiras inocentes” sempre fizeram parte das redes — e estão cada vez mais presentes.
No X, antigo Twitter, e no Instagram, por exemplo, são comuns as publicações que se aproveitam dos assuntos em alta para viralizar.
Falsas agressões nos megablocos de São Paulo, oportunidades de trabalhos com grandes artistas internacionais, confirmação de um ator em uma franquia de sucesso ou do nascimento do filho de uma diva. Os exemplos são vários, e “errados” são os desavisados que não entenderam “a piada”.
Veja alguns exemplos:
Até mesmo nos casos mais absurdos — como o suposto envolvimento de personagens de desenho animado em crimes e confrontos com a polícia —, especialistas ouvidos pela reportagem entendem que as plataformas devem empregar métodos digitais e orgânicos para fiscalizar as publicações.
“O objetivo central dessas medidas deve ser garantir maior transparência informacional, preservando a confiança dos usuários e assegurando condições mais equilibradas nas relações de consumo no ambiente digital”, afirma a doutora em direito do consumidor Lais Bergstein.
Para evitar cair nas “pegadinhas” e “mentiras de 1º de abril” nas redes, algumas das dicas são:
- Confira o perfil que fez a publicação. Muitos podem usar o nome e a foto de perfil de veículos de comunicação ou pessoas reais para tentar enganar os usuários. Perfis que agem de acordo com as regras da plataforma irão sinalizar serem contas humorísticas/de paródias.
- Leia atentamente a legenda e os comentários. Uma leitura atenta pode ajudar a identificar indícios de que o que está sendo publicado não é verdade. Além disso, comentários de outros usuários podem ajudar a impedir que as “piadas” sejam lidas como fatos No X, por exemplo, existe a Nota da Comunidade, ferramenta que permite avisar sobre informações mentirosas.
- Pesquise antes de compartilhar. Por maiores que sejam o impulso e a empolgação, vale a pena perder alguns instantes para confirmar e não “pagar mico” por ter caído em pegadinhas na Internet.
Mentiras para vender publi
Em muitos exemplos, as publicações falsas não têm outro objetivo senão viralizar e arrancar algumas risadas e curtidas nas redes. Em outros casos, porém, a reportagem identificou que internautas usam relatos falsos para induzir usuários a clicar em links de anúncios em lojas virtuais.
O modus operandi é quase sempre o mesmo: textos copiados e colados repetidas vezes contam alguma história que cause alguma curiosidade ou revolta. Para saber o desfecho do relato, o leitor deve conferir as publicações relacionadas (o famoso “segue o fio”), onde o aguarda o link. Confira alguns exemplos:
Esta “publicidade invisível”, em que os usuários não identificam que a publicação se trata de um conteúdo publicitário, representa, segundo os especialistas, um dos maiores desafios hoje na gestão das plataformas.
“O principal desafio está na própria estrutura das plataformas digitais, que permite a circulação massiva e instantânea de conteúdos produzidos por milhões de usuários e que estão hospedados no exterior”, explica Lais Bergstein.
“A velocidade de produção e disseminação de conteúdo torna complexa a fiscalização sistemática por órgãos públicos ou entidades de autorregulação. Daí a importância da harmonização, no plano internacional, das regras de proteção de dados e uso de sistemas de inteligência artificial”, acrescenta.
Thiago Costa, pesquisador do Laboratório CultPop da Universidade Federal Fluminense (UFF), acrescenta que este tipo de publicação pode inclusive afetar um dos maiores interessados nas publicidades nas redes sociais: os influenciadores digitais.
“As plataformas podem — e aparentemente começaram — diminuir o alcance desse tipo de postagem, que começa de um jeito, mas no final ‘vira’ uma publicidade”, diz. “Quem realmente vive da influência e da criação de conteúdo, com parcerias com marcas, pode acabar tendo que mudar de estratégia. E isso pode diminuir o interesse de algumas marcas e também o faturamento desses criadores, porque muitas campanhas utilizam o número de cliques originados do conteúdo para definir o pagamento dos influenciadores”, argumenta.
“De um lado, as plataformas também precisam se posicionar, pois quem pode fazer algo mais efetivo são elas, porque tudo acontece dentro desses ambientes. Se elas não quiserem perder a audiência dos usuários, precisarão se posicionar mais claramente. Mas é importante reforçar que, quando se deparar com conteúdo desse tipo e se sentir de alguma forma enganado, o usuário deve reportar às plataformas, pedindo a retirada e mostrando que não estão de acordo com isso. Fazendo isso, fica claro para as plataformas que não dá mais para aceitar esse tipo de conteúdo”, completa.
E como as plataformas enfrentam esse problema?
Para se fazer cumprir a legislação brasileira nas redes sociais, a atuação ativa das plataformas é fundamental para proteger o direito de artistas e criadores.
Ao Metrópoles, plataformas como o Instagram e o TikTok afirmam que empregam canais próprios em que a comunidade pode acessar as diretrizes para compartilhamento de vídeos.
Além disso, as redes também contam com canais de denúncias em que qualquer usuário pode sinalizar vídeos que infrinjam políticas, sejam elas de direitos autorais, do próprio usuário ou de terceiros, além de conteúdo de cunho sexual, preconceituoso ou ofensivo.


























