Caso Thawanna: perícia independente acusa contradições em versão da PM
Em nota, SSP diz que laudo da perícia independente não faz parte da investigação e que não comenta documentos produzidos por terceiros
atualizado
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O laudo da perícia independente contratada pela defesa do viúvo de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, apontou inconsistências na versão apresentada pela Polícia Militar (PM) sobre a morte da ajudante-geral. Thawanna foi baleada pela policial Yasmin Cursino, 21, após uma abordagem no dia 3 de abril, em Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo.
O parecer-técnico, assinado pelo perito Guilhere de Lima e Silva, teria identificado incoerências nos depoimentos de Yasmin e do soldado Weden Silva Soares, que alegaram comportamento hostil por parte de Thawanna e questiona a cronologia dos fatos desde o momento do disparo até o efetivo deslocamento da vítima para atendimento hospitalar.
“Diante disso, a defesa requer a realização de diligências complementares, com o objetivo de assegurar a completa elucidação dos fatos e a responsabilização de eventuais irregularidades”, afirmou, em nota enviada ao Metrópoles, a defesa do viúvo Luciano Gonçalves dos Santos.
O laudo afirma que não houve isolamento técnico adequado no local no momento subsequente à ocorrência, tendo sido registrado fluxo de pessoas e uma suposta manipulação de vestígios. O documento ainda traz uma imagem que mostra um policial aparentemente manipulando um estojo de munição, que pode ter sido utilizado por Yasmin Cursino no disparo contra Thawanna Salmázio.

“Adicionalmente, observa-se que a própria dinâmica da ocorrência, envolvendo contenção de indivíduos, acionamento de socorro e posterior liberação das partes, contribuiu para a descaracterização parcial do cenário original, dificultando a preservação integral dos elementos materiais”, escreveu o perito independente.
O relatório pericial também apontou que, nos registros obtidos pela câmera corporal policial, não há manifestação de comportamento que possa ser identificado como agressão injusta, atual ou iminente direcionada a Yasmin. A observação contradiz o depoimento da soldado, que afirmou que Thawanna teria lhe dado um tapa no rosto durante a discussão que sucedeu a abordagem policial.
Da mesma forma, o parecer-técnico destaca que, até o presente momento, não houve registros técnicos ou documentais que que evidenciem, de forma objetiva, a existência de lesões físicas compatíveis com a agressão relatada pelos policiais militares, tais como edema, eritema, escoriações ou quaisquer alterações visíveis na região corporal supostamente atingida.
Procurada pelo Metrópoles para comentar o tema, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirmou, em nota, que o laudo da perícia independente não faz parte da investigação e que a pasta não comenta documentos produzidos por terceiros. “A Secretaria da Segurança Pública (SSP) reforça que todas as circunstâncias dos fatos são investigadas com rigor pelo DHPP [Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa] e por meio de Inquérito Policial Militar (IPM), com acompanhamento das corregedorias das instituições envolvidas”, informou ainda.
A SSP também destacou que os laudos periciais oficiais já concluídos foram encaminhados ao DHPP e estão sob análise da equipe responsável pelo inquérito. Disse ainda que os policiais envolvidos no caso seguem afastados do serviço operacional até a conclusão das investigações.














