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São Paulo

Taubaté interrompe financiamento de balé da cidade por "falta de orçamento"

Secretaria de Cultura de Taubaté suspendeu as bolsas de alunos do Balé da Cidade, patrimônio municipal, para “contenção de despesas”

30/09/2026 14:22, atualizado 30/09/2026 14:59
Balé da Cidade de Taubaté/Divulgação
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A Prefeitura de Taubaté suspendeu o pagamento de bolsas aos bailarinos do Balé da Cidade entre os meses de setembro e dezembro deste ano sob justificativa de “falta de orçamento”. A medida impacta nove bolsistas e deve interromper os espetáculos do projeto, que completou 20 anos em maio.

“Em atenção às medidas de contenção de despesas adotadas para o encerramento do exercício de 2026, e considerando a atual disponibilidade orçamentária e financeira desta Secretaria, informa-se que a concessão das bolsas aos bolsistas deverá ser suspensa temporariamente nos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro de 2026”, diz um comunicado assinado pelo secretário interino da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa, Mario Carneiro.

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Bailarina chama decisão de “descaso”

“Isso é um descaso com a nossa profissão de artistas, com a gente que trabalha lá ativamente, que já recebe uma bolsa irrisória”, desabafou a jornalista e bailarina Victória Rangel, de 29 anos, que está há dois anos no Balé da Cidade. O valor da bolsa é de R$ 1.500,00 mensais.

A artista chamou a medida de “desorganização da prefeitura”. O prefeito de Taubaté é  o ex-deputado estadual Sérgio Victor (Novo). A secretária de Cultura é a atriz e dançarina Aline Damásio, afastada temporariamente por licença-maternidade.

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Uma decisão semelhante foi tomada no ano passado, interrompendo por três meses as bolsas e os espetáculos do teatro do Sítio do Pica-Pau Amarelo, também por falta de orçamento. Na época, servidores municipais tiveram que substituir os bolsistas para cumprir a agenda do projeto.

Victória afirmou ainda que ela e os colegas da companhia não sabem como vão pagar as despesas pessoais nos próximos meses porque contavam com o valor da bolsa.

“Eu sinto muito por estar passando por essa situação e sinto muito pelos meus colegas de trabalho. Sei que tem pessoas que, como eu, vieram de fora para estar no Balé da Cidade e já tiveram que voltar porque não tinham como se sustentar aqui, simplesmente porque a renda com a qual a gente contava acabou. Sinto muito pelos nossos professores”, lamentou, citando tmabém os gestores do projeto, que “são reféns de certas coisas”.

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Previsto em lei, Balé é considerado patrimônio cultural

O Balé da Cidade de Taubaté foi criado em maio de 2006, completando duas décadas de existência neste ano. Em 2014, o projeto foi incluído na Lei Orgânica da cidade e classificado como patrimônio cultural do município.

Em 2015, uma lei municipal instituiu a Bolsa Balé da Cidade, destinada ao aprimoramento profissional e à apresentação dos integrantes da companhia. O próprio texto da legislação definiu o valor do benefício, que não é atualizado desde então.

“O Balé da Cidade é o único corpo artístico profissional criando campo de trabalho para a dança profissional na cidade de Taubaté. É uma das principais políticas públicas pra dança e é um dos principais corpos artísticos do interior do Estado, assim, como corpo artístico municipal. Ele já serviu de casa e de lugar de aprendizado pra muitos bailarinos que passaram por aqui”, afirmou o servidor municipal que integra a equipe da companhia, Rafael Soares.

O produtor destacou que sua maior preocupação é sobre o futuro da companhia. “A gente não tem nenhuma informação sobre continuidade. Qual é a previsão de continuidade do balé para o ano que vem?”, indagou.

O Metrópoles solicitou uma manifestação à Prefeitura de Taubaté, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.