
Tarcísio tenta repetir Serra e Alckmin e decidir eleição de SP no 1º turno
Em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, governador pode sair vitorioso já neste domingo, repetindo feito de Serra e Alckmin

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) chega para a eleição deste domingo (4/10) como o grande favorito da disputa paulista e pode encerrar o pleito pelo Palácio dos Bandeirantes já neste turno. Caso o cenário desenhado nas pesquisas se confirme, o político será o terceiro da história a vencer no primeiro turno em São Paulo.
O último candidato a garantir uma vitória no estado nesta etapa da eleição foi Geraldo Alckmin, então no PSDB, em 2014. Naquele ano, Alckmin e seu vice, Márcio França (PSB), levaram 57,31% dos votos, superando seus principais concorrentes, Paulo Skaf (então no PMDB) e Alexandre Padilha (PT).
Doze anos depois, Tarcísio e o vice Felício Ramuth (MDB) tentam repetir o feito na disputa contra Fernando Haddad (PT) e Márcio França (PSB). Alckmin, hoje no PSB, é apoiador da chapa encabeçada pelo petista.
Desde a redemocratização, venceram no primeiro turno em São Paulo apenas Alckmin, em 2010 e 2014, e José Serra (PSDB), em 2006. Serra carrega o melhor resultado até então, com 57,93% dos votos válidos. As pesquisas de agora indicam que Tarcísio pode chegar a um resultado próximo ao do tucano ou até superá-lo.
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Eleito governador pela primeira vez impulsionado pelo bolsonarismo, após ser escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para concorrer ao Executivo paulista, Tarcísio vive um momento bem diferente daquele na disputa pela reeleição.
Carioca e desconhecido do eleitor paulista até 2022, o ex-ministro da Infraestrutura de Bolsonaro ganhou popularidade ao ocupar o cargo de governador e construiu um caminho próprio no estado.
Nos quase quatro anos à frente do Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio apostou nas privatizações como uma das marcas de seu governo. Sob o discurso de dar mais eficiência ao Estado, vendeu a Sabesp, concedeu linhas de trem e a administração de escolas à iniciativa privada, e fez novos contratos de concessão de rodovias.
Críticas e polêmicas
A entrega de obras atrasadas de governos anteriores, como a Linha 17-Ouro do monotrilho, prometida para a Copa do Mundo de 2014, também foi capitaneada pelo político e virou trunfo eleitoral. O esvaziamento do principal fluxo da Cracolândia, no centro da capital paulista, e o anúncio do túnel Santos-Guarujá, em parceria com o governo federal, foram outros temas que deram visibilidade à Tarcísio.
Acidentes graves envolvendo empresas privatizadas, como a explosão em uma obra da Sabesp que deixou mortos, e o incêndio em um trem recém-privatizado geraram cobranças da população, por outro lado. Uma pesquisa do Instituto Datafolha mostrou que a maior parte dos paulistas é contra a venda da companhia de água e a concessão das linhas de trem e metrô.
Na educação, erros no material didático entregue nas escolas, o uso massivo de plataformas para a aprendizagem e o projeto – depois abandonado – de substituir livros por conteúdo inteiramente digital levantaram críticas de professores e pais. Especialistas também criticaram a decisão de criar escolas cívico-militares no estado.
Os temas viraram munição para o adversário de Tarcísio, Fernando Haddad (PT), na campanha, assim como a segurança pública. Sob o comando de Tarcísio e do então secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP), o estado viveu um aumento na letalidade policial e registrou recorde de feminicídios.
Estratégia de campanha
A violência contra a mulher virou o calcanhar de Aquiles da gestão, em meio a casos como o da soldado Gisele Alves, assassinada pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto.
Temendo o impacto do tema na eleição, a campanha de Tarcísio apostou em encontros com eleitoras e promessas voltadas a esse público durante a campanha. Propostas para as mães atípicas eram repetidas com frequência em eventos e propagandas, assim como investimentos em saúde da mulher.
Tarcísio também citou várias vezes a parceria entre o governo e o Tribunal de Justiça para tornozelar agressores de mulheres, ainda que sem dizer que menos de 1% dos pedidos de medidas protetivas terminam com o agressor efetivamente monitorado, como mostrou reportagem do UOL. Ao portal, a campanha disse que “medida protetiva não significa, automaticamente, uso de tornozeleira” e que a decisão do monitoramento é da Justiça.
Com maior tempo de TV e amplo apoio de prefeitos, o governador viu as pesquisas indicarem seu avanço entre o eleitorado semana após semana, inclusive na região metropolitana, que deu vitória à Haddad em 2022.
Nem mesmo a fala de Daniel Vorcaro que relacionou uma doação de R$ 2 milhões recebida pela campanha de Tarcísio em 2022 a um suposto pagamento de propina acertado pelo banqueiro com Gilberto Kassab (PSD) provocou abalos na candidatura do governador.
O relato, vale explicar, aparecia nas propostas de delação premiada do banqueiro que foram negadas pela Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Tarcísio disse que o relato de Vorcaro “beira o ridículo” e explicou que foi a gestão João Doria quem credenciou uma empresa ligada ao banqueiro para atuar com consignados no estado.

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Em meio a uma campanha nacionalizada, com temas com a crise no Supremo, o caso Dark Horse e as bets pipocando no noticiário, Tarcísio discursou, mais de uma vez, em defesa de mudanças para o país.
Disse que era necessário “acabar com a bet ou ela vai acabar com o Brasil”; cobrou uma resposta do Senado ao caso de Alexandre de Moraes; e falou sobre a crise em empresas como as Casas Bahia, criticando a política econômica de Lula, que teve seu adversário, Haddad, como ministro da Fazenda.
Mais do que atacar a gestão do PT, ou chamar atenção para Flávio – cuja apoio de Tarcísio na campanha ganhou tração apenas na reta final –, os discursos do governador tinham como objetivo apresentar sua própria visão sobre o país. O candidato que agora disputa a reeleição flerta com a Presidência em 2030.
Caso seja o escolhido da direita para a disputa nacional na próxima eleição, Tarcísio pode enfrentar, curiosamente, o mesmo adversário de agora: Haddad é um dos cotados para substituir Lula.







































