Tarcísio fala sobre saída de coronel da PM após inquérito sobre PCC. Vídeo

O governador de SP negou uma crise na segurança pública do estado de São Paulo, mas afirmou que desvios de conduta sempre serão investigados

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Governador Tarcísio de Freitas ao lado de coronel Glauce Anselmo Cavalli, na posse como chefe da PMSP - Metrópoles
1 de 1 Governador Tarcísio de Freitas ao lado de coronel Glauce Anselmo Cavalli, na posse como chefe da PMSP - Metrópoles - Foto: Jessica Bernardo/Metrópoles

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), se manifestou nesta quarta-feira (29/4) sobre a saída do coronel José Augusto Coutinho do comando da Polícia Militar. O agente foi citado em uma investigação da Corregedoria da corporação sobre a atuação de PMs como seguranças de supostos integrantes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) ligados à empresa de ônibus Transwolff.

Questionado pela imprensa, o governador negou a existência de uma crise na segurança pública. “A Polícia Militar sempre, obviamente, vai estar aberta para investigações de desvios de conduta. Sempre serão apurados, serão punidos na forma da lei, como sempre aconteceu. A instituição é muito maior do que isso, a instituição é composta por pessoas”, afirmou o chefe do Palácio dos Bandeirantes.

A fala ocorreu durante a posse da primeira comandante-geral mulher da história da PMSP. A coronel Glauce Anselmo Cavalli substitui Coutinho, que foi para a reserva da instituição.

Citação em inquérito sobre PCC

Ex-comandante da Polícia Militar de São Paulo, o coronel José Augusto Coutinho pediu para deixar o cargo neste mês.Metrópoles apurou que o nome dele teria aparecido no depoimento do sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário, preso em fevereiro, por fazer escolta ilegal para diretores da Transwolff, que operava linhas de ônibus em São Paulo e teve o contrato rompido pela prefeitura da capital após ser alvo de operação por suspeita de lavagem de dinheiro para a facção. Segundo o relato, o coronel tinha conhecimento do esquema de escolta.

Autoridades ligadas à investigação disseram à reportagem que o desgaste sobre Coutinho aumentou após um promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) procurar a Corregedoria para oferecer mais informações sobre suspeitas em relação à atuação do coronel. Em depoimento, o representante do Ministério Público de São Paulo (MPSP) teria detalhado como o coronel teria ignorado um outro esquema envolvendo PMs e o PCC.

Como revelado pelo Metrópoles, em 2021, na época em que comandava as Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), tropa de elite da PM, Coutinho foi avisado pelo promotor Lincoln Gakyia de que PMs do setor de inteligência do batalhão estariam vazando informações sigilosas para proteger membros da célula do PCC na zona leste da capital. O coronel, no entanto, não teria tomado providências.

Mais tarde, o esquema ganharia os holofotes na esteira das investigações sobre o assassinato de Vinícius Gritzbach, delator de policiais e do PCC, executado em novembro de 2024, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Ele mantinha conexões com policiais corruptos e tinha escolta ilegal de PMs.

O inquérito policial militar em que Coutinho foi citado levou à prisão de três policiais e a buscas em endereços ligados a 16 alvos. Na casa de um deles, foi apreendido R$ 1 milhão em espécie. Entre os dirigentes da Transwolff beneficiados pelo esquema de escolta ilegal, estariam Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora, e Cícero de Oliveira, o Té, apontados como elo entre o PCC e os ônibus da zona sul da capital.

Questionada pelo Metrópoles sobre as suspeitas envolvendo Coutinho, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) limitou-se a dizer na época que “não comenta investigações em curso conduzidas por sua Corregedoria”. O ex-comandante não se manifestou. O espaço segue aberto.

Primeira mulher no cargo

Em quase dois séculos de corporação, sempre foram homens que estiveram na liderança da Polícia Militar paulista. A coronel Glauce interrompe esse ciclo em meio a um momento de alta de feminicídios no estado, e com a missão de melhorar o combate ao crime às vésperas da eleição estadual.

No primeiro discurso como comandante-geral, a coronel prometeu foco no combate à violência contra as mulheres. “O enfrentamento à violência doméstica e familiar será prioridade no nosso comando”, disse.

Ao longo de sua trajetória na polícia, a coronel ocupou postos como Diretoria de Logística da PM, a liderança do Centro de Comunicação Social da corporação, e a chefia do Comando de Policiamento de Área Metropolitana Sudoeste (CPA/M-2), setor responsável por uma das regiões mais populosas da capital paulista.

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