Apontado como líder de laranjas usados por CV e Fictor se entrega à PF

Thiago Branco de Azevedo, o Ralado, estava foragido desde quarta-feira, quando foi alvo da Operação Fallax, da Polícia Federal

atualizado

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Thiago Branco de Azevedo, conhecido como Ralado, um dos principais alvos da Operação Fallax - Metrópoles
1 de 1 Thiago Branco de Azevedo, conhecido como Ralado, um dos principais alvos da Operação Fallax - Metrópoles - Foto: Imagem cedida ao Metrópoles

O influenciador digital Thiago Branco de Azevedo, apontado como operador de um esquema de laranjas usado pelo Comando Vermelho (CV) e pela holding de investimentos Fictor, se entregou à Polícia Federal (PF) na manhã desta sexta-feira (27/3), após ficar dois dias como foragido. Ralado, como é conhecido, foi alvo da Operação Fallax, deflagrada contra fraudes de até R$ 500 milhões contra a Caixa Econômica Federal e outros bancos.

De acordo com as investigações, o influenciador criava centenas de empresas em nome de desconhecidos e usava os CNPJs para obter empréstimos e financiamentos junto a instituições financeiras. Para isso, diz a PF, ele cooptava gerentes bancários que aprovavam as operações irregulares mediante o pagamento de propinas.

Ralado se entregou à polícia em Piracicaba, no interior de São Paulo, acompanhado da companheira, Glaucia Juliana Iglesias de Azevedo, e do cunhado, que também eram alvos da operação. Ao todo, foram expedidos mandados de prisão contra 21 investigados. A Justiça ainda determinou o bloqueio de bens de 33 alvos, entre eles o CEO da Fictor, Rafael Góis, assim como as quebras do sigilo de 172 empresas.

A atividade criminosa do influenciador foi descoberta pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em 2024, em uma operação contra o Bando do Magrelo, gangue que rivalizava com o Primeiro Comando da Capital (PCC) na região de Rio Claro, também no interior.

Meses depois, o MPSP apontou que o CV teria se associado ao Bando do Magrelo, fornecendo armamentos e apoio logístico. Com a prisão de Anderson Ricardo de Menezes, o Magrelo, líder da gangue, a própria facção carioca teria assumido o controle da região, sob o comando de Leonardo Felipe Calixto.

Em nota ao Metrópoles, a defesa da Fictor afirmou não ter conhecimento de eventual relação com o CV, “tampouco teve acesso aos elementos informativos utilizados pela Polícia Federal”.

“A empresa reitera que (…) prestará todos os esclarecimentos pertinentes de forma transparente e responsável”, disse a Fictor, que reafirmou seu “compromisso inegociável com as melhores práticas de governança, integridade corporativa e estrita observância da legislação vigente”.

Conversa com CEO

Na representação que deu origem à representação, a PF cita conversas de WhatsApp entre o executivo Rafael Góis e Ralado nas quais eles teriam tratado de um esquema fraudulento para obter créditos bancários e lavar dinheiro por meio de empresas de fachada.

Uma das trocas de mensagens citadas pela PF na representação teria ocorrido no fim de 2023. Referindo-se a Rafael Góis como “chefe”, Ralado sugere um superfaturamento de uma das empresas em nome de laranja, que estava sem movimentação nos últimos 12 meses, para viabilizar uma operação. O CEO da Fictor teria respondido com naturalidade, dizendo que já tinha a simulação referente ao ano anterior.

As investigações apontam que a empresa citada por Thiago teria obtido quantias relevantes da Caixa Econômica Federal com apoio de um gerente bancário cooptado pelo esquema, mediante pagamento de propina.

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