Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
São Paulo

Ralado, ligado ao CV, comandava rede de laranjas usada pela Fictor

Thiago Branco, o Ralado, mantinha rede de empresas de fachada e corrompia agentes bancários. Ele também atuou para o Bando do Magrelo

25/03/2026 10:55, atualizado 26/03/2026 12:42
Imagem cedida ao Metrópoles
Thiago Branco de Azevedo, conhecido como Ralado, um dos principais alvos da Operação Fallax - Metrópoles

A rede de laranjas do núcleo paulista do Comando Vermelho (CV), que teria sido usada pela cúpula do grupo Fictor para lavar dinheiro, contava com aproximadamente 100 empresas de fachada e tinha o apoio de gerentes bancários envolvidos no esquema. O esquema era comandado por Thiago Branco de Azevedo, conhecido como Ralado, um dos principais alvos da Operação Fallax, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (25/3). Os agentes federais não conseguiram prendê-lo. A suspeita é de que ele esteja no Rio de Janeiro.

A atividade criminosa de Ralado foi descoberta pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em 2024, em uma operação contra o Bando do Magrelo, gangue que rivalizava com o Primeiro Comando da Capital (PCC) na região de Rio Claro, interior de São Paulo.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

De acordo com as investigações, ele usava documentos falsos para criar empresas de fachada em nome de desconhecidos e obter empréstimos bancários que nunca eram pagos. A rede de empresas era utilizada pelo Bando do Magrelo para lavar dinheiro do tráfico de drogas.

Meses depois, o MPSP apontou que o Comando Vermelho (CV) teria se associado ao Bando do Magrelo, fornecendo armamentos e apoio logístico. Com a prisão de Anderson Ricardo de Menezes, o Magrelo, líder da gangue, a própria facção carioca teria assumido o controle da região, sob o comando de Leonardo Felipe Calixto.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP

De acordo com as investigações da PF, o esquema criminoso de Ralado teria cooptado gerentes bancários, que receberiam propina de até R$ 30 mil para colaborar com as operações suspeitas. Alguns deles foram presos na operação desta quarta-feira (25/3).

Em nota ao Metrópoles, a defesa da Fictor afirmou não ter conhecimento de eventual relação com o CV, “tampouco teve acesso aos elementos informativos utilizados pela Polícia Federal”.

“A empresa reitera que (…) prestará todos os esclarecimentos pertinentes de forma transparente e responsável”, disse a Fictor, que reafirmou seu “compromisso inegociável com as melhores práticas de governança, integridade corporativa e estrita observância da legislação vigente”.

Operação Fallax

São cumpridos, ao todo, 43 mandados de busca e apreensão e outros 21 de prisão preventiva – 13 pessoas haviam sido presas até a manhã desta quarta. Também foi determinado o bloqueio e sequestro de bens imóveis, veículos e ativos financeiros até o limite de R$ 47 milhões.

Ralado, ligado ao CV, comandava rede de laranjas usada pela Fictor - destaque galeria
4 imagens
Operação Fallax foi desencadeada na manhã desta quarta (25/3)
PF investiga fraudes relacionadas a instituições financeiras
Mandados são cumpridos em 3 estados
Apreensões realizadas pela Polícia Federal
1 de 4

Apreensões realizadas pela Polícia Federal

Divulgação/ Polícia Federal
Operação Fallax foi desencadeada na manhã desta quarta (25/3)
2 de 4

Operação Fallax foi desencadeada na manhã desta quarta (25/3)

Divulgação/ Polícia Federal
PF investiga fraudes relacionadas a instituições financeiras
3 de 4

PF investiga fraudes relacionadas a instituições financeiras

Divulgação/ Polícia Federal
Mandados são cumpridos em 3 estados
4 de 4

Mandados são cumpridos em 3 estados

Divulgação/ Polícia Federal

Foram ainda autorizadas medidas cautelares para o rastreamento de ativos financeiros, incluindo a quebra de sigilo bancário e fiscal de dezenas de pessoas físicas e jurídicas envolvidas.

A operação ocorre simultaneamente em três estados com o objetivo de desarticular um esquema de fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal e crimes de estelionato e lavagem de dinheiro.

As fraudes investigadas podem ultrapassar R$ 500 milhões.

O grupo criminoso atuava por meio da cooptação de funcionários de instituições financeiras e da utilização de empresas para a movimentação de valores e ocultação de recursos ilícitos.

De acordo com as apurações, a organização utilizava empresas de fachada e estruturas empresariais para dissimular a origem dos recursos ilícitos. Funcionários de instituições financeiras inseriam dados falsos em sistemas bancários para viabilizar saques e transferências indevidas. Posteriormente, os valores eram convertidos em bens de alto valor e criptoativos, dificultando o rastreamento.