Ralado, ligado ao CV, comandava rede de laranjas usada pela Fictor
Thiago Branco, o Ralado, mantinha rede de empresas de fachada e corrompia agentes bancários. Ele também atuou para o Bando do Magrelo

A rede de laranjas do núcleo paulista do Comando Vermelho (CV), que teria sido usada pela cúpula do grupo Fictor para lavar dinheiro, contava com aproximadamente 100 empresas de fachada e tinha o apoio de gerentes bancários envolvidos no esquema. O esquema era comandado por Thiago Branco de Azevedo, conhecido como Ralado, um dos principais alvos da Operação Fallax, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (25/3). Os agentes federais não conseguiram prendê-lo. A suspeita é de que ele esteja no Rio de Janeiro.
A atividade criminosa de Ralado foi descoberta pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em 2024, em uma operação contra o Bando do Magrelo, gangue que rivalizava com o Primeiro Comando da Capital (PCC) na região de Rio Claro, interior de São Paulo.

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Ver todasDe acordo com as investigações, ele usava documentos falsos para criar empresas de fachada em nome de desconhecidos e obter empréstimos bancários que nunca eram pagos. A rede de empresas era utilizada pelo Bando do Magrelo para lavar dinheiro do tráfico de drogas.
Meses depois, o MPSP apontou que o Comando Vermelho (CV) teria se associado ao Bando do Magrelo, fornecendo armamentos e apoio logístico. Com a prisão de Anderson Ricardo de Menezes, o Magrelo, líder da gangue, a própria facção carioca teria assumido o controle da região, sob o comando de Leonardo Felipe Calixto.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPDe acordo com as investigações da PF, o esquema criminoso de Ralado teria cooptado gerentes bancários, que receberiam propina de até R$ 30 mil para colaborar com as operações suspeitas. Alguns deles foram presos na operação desta quarta-feira (25/3).
Em nota ao Metrópoles, a defesa da Fictor afirmou não ter conhecimento de eventual relação com o CV, “tampouco teve acesso aos elementos informativos utilizados pela Polícia Federal”.
“A empresa reitera que (…) prestará todos os esclarecimentos pertinentes de forma transparente e responsável”, disse a Fictor, que reafirmou seu “compromisso inegociável com as melhores práticas de governança, integridade corporativa e estrita observância da legislação vigente”.
Operação Fallax
São cumpridos, ao todo, 43 mandados de busca e apreensão e outros 21 de prisão preventiva – 13 pessoas haviam sido presas até a manhã desta quarta. Também foi determinado o bloqueio e sequestro de bens imóveis, veículos e ativos financeiros até o limite de R$ 47 milhões.
Foram ainda autorizadas medidas cautelares para o rastreamento de ativos financeiros, incluindo a quebra de sigilo bancário e fiscal de dezenas de pessoas físicas e jurídicas envolvidas.
A operação ocorre simultaneamente em três estados com o objetivo de desarticular um esquema de fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal e crimes de estelionato e lavagem de dinheiro.
As fraudes investigadas podem ultrapassar R$ 500 milhões.
O grupo criminoso atuava por meio da cooptação de funcionários de instituições financeiras e da utilização de empresas para a movimentação de valores e ocultação de recursos ilícitos.
De acordo com as apurações, a organização utilizava empresas de fachada e estruturas empresariais para dissimular a origem dos recursos ilícitos. Funcionários de instituições financeiras inseriam dados falsos em sistemas bancários para viabilizar saques e transferências indevidas. Posteriormente, os valores eram convertidos em bens de alto valor e criptoativos, dificultando o rastreamento.











