BC viu falhas que impediram análise da venda do Banco Master à Fictor

Autoridade afirmou que operação não apresentava indícios de aprovação e que documentação era genérica, com condições especulativas

atualizado

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1 de 1 Banco Central - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O Banco Central (BC) identificou falhas na instrução processual que impediram a análise do pedido de autorização para a compra do Banco Master pelo grupo Fictor, em novembro de 2025, um dia antes da liquidação extrajudicial da instituição.

A autarquia ainda destacou que o pedido “não apresentava características indicativas de aprovação”, segundo documentos enviados ao Tribunal de Contas da União (TCU).

Em nota, o BC informou que os termos do contrato eram genéricos e a operação dependia de pré-condições que, embora relevantes, permaneciam no campo especulativo, sem indícios mínimos de viabilidade.

“Situação inadmissível para um conglomerado que atravessava aguda e crônica crise de liquidez, com forte dependência de aportes do Fundo Garantidor de Créditos para cumprir suas obrigações cotidianas”, destacou a autoridade monetária.

O pleito de autorização da compra do Master pelo Fictor foi protocolado no BC em 17 de novembro de 2025. O contrato firmado entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e os compradores previa aportes de R$ 3 bilhões por Vorcaro e outros R$ 3 bilhões por “investidores institucionais previamente identificados e aceitos pelas partes”.

Além disso, a operação projetava que o patrimônio líquido do Master alcançasse R$ 8 bilhões ao final do processo.

O BC observou que, apesar dessas premissas, a documentação não apresentava elementos que indicassem a possibilidade concreta de implementação do negócio. Não havia, por exemplo, referência a fundos de investimento específicos interessados na operação, apenas menções genéricas a “investidores estrangeiros” ou “institucionais”.

“Um aspecto crucial para a concretização do negócio, o aporte da significativa quantia de R$ 3 bilhões, não traz elementos que permitam identificar quais seriam tais investidores, qual seria sua capacidade econômico-financeira, em que termos se daria sua participação e, em especial, se haveria qualquer sinalização de interesse de sua parte em se juntar ao projeto”, registrou o BC.

Além disso, faltaram documentos essenciais, como recibos de entrega do Imposto de Renda (IR) de pelo menos um membro do grupo de controle do comprador e informações sobre atos societários que elegeram diretores.

A declaração de origem lícita dos recursos, exigida pelo processo, foi assinada pelo vendedor, quando deveria ter sido apresentada pelos compradores.

Diante dessas falhas e da decretação da liquidação extrajudicial de instituições do conglomerado Master, os compradores desistiram da operação, e o processo foi arquivado.

“Não foi efetuada, naquele momento, análise sobre a capacidade econômico-financeira e a reputação dos futuros controladores, a origem dos recursos a serem utilizados na aquisição e a viabilidade econômico-financeira do empreendimento”, registrou o BC.

O CEO da Fictor, Rafael Góis, foi alvo nesta quarta-feira (25/3) de mandado de busca e apreensão no âmbito da Operação Fallax, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal e outros bancos. Além disso, o grupo Fictor segue em processo de recuperação judicial.

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