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São Paulo

Secretário municipal é preso em investigação sobre ameaça a vereador

Leandro Gabrigna, secretário de Planejamento e Obras do município de Assis, no interior de SP, foi exonerado do cargo logo após a prisão

Divulgação/Prefeitura de Assis
Leandro Gabrigna, secretário de Planejamento de Assis

O secretário de Planejamento, Obras e Serviços de Assis, interior de São Paulo, Leandro Gabrigna, foi preso na manhã dessa segunda-feira (13/7) durante operação que investiga o roubo do celular e as ameaças de morte contra o vereador Fernando Sirchia (PDT). Mais tarde, no mesmo dia, Gabrigna foi exonerado da pasta, conforme publicação no Diário Oficial do município.

As investigações tiveram início em 23 de março deste ano, quando o vereador foi abordado, no portão da residência em que mora, por um homem que dizia estar fazendo uma pesquisa. Ao atender a porta, Sirchia foi rendido com um revólver calibre .38. Segundo o parlamentar, o criminoso afirmou que teria recebido ordem para matar ele e a esposa, caso ele não parasse de ser “X9” e não calasse a boca.

No dia 07 de julho de 2026, durante a primeira fase da Operação “Veritas Vincit” (expressão em latim que significa “A Verdade Vence”), a Polícia Civil de São Paulo cumpriu dois mandados de prisão temporária e cinco mandados de busca e apreensão domiciliar na capital.

Agora, na segunda fase da operação, foram cumpridos mais dois mandados de prisão temporária e três mandados de busca e apreensão em Assis, incluindo a de Leandro Gabrigna. Aparelhos celulares e documentos foram apreendidos e serão submetidos à análise técnica e pericial.

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Apesar do roubo do celular, a Polícia Civil disse acreditar que o crime teria motivação política. Fernando Sirchia é presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Combustíveis da Câmara de Assis, que apura possíveis irregularidades na frota municipal e no abastecimento de veículos da prefeitura.

Além de Gabrigna, outros dois servidores que ocupavam cargos de confiança na administração municipal foram exonerados, apesar de terem sido liberados após prestarem depoimento à polícia. As exonerações foram formalizadas por meio de decreto assinado pela prefeita Telma Spera (PL). Procurada pelo Metrópoles, a Prefeitura de Assis não respondeu às nossas tentativas de contato. A reportagem será atualizada assim que obtivermos uma resposta.

Vereador chegou a se afastar das atividades após o episódio

Uma semana depois da abordagem, em 30 de março, Fernando Sirchia anunciou o afastamento temporário do mandato por 30 dias. Na ocasião, ele afirmou que a decisão foi tomada pensando na segurança e que não contava com nenhum tipo de proteção pessoal. À época, Sirchia também criticou a falta de avanço da investigação policial na identificação de autor e mandante do crime e lamentou a repercussão considerada tímida do caso na mídia regional.

Ao Metrópoles, o parlamentar disse concordar com a polícia de que o crime teria relação com o trabalho na CPI. Antes de se tornar secretário de Planejamento, Leandro Gabrigna e a esposa dele, Eloiza Marson Gabrigna, foram os maiores doadores individuais da campanha de Telma Spera à prefeitura, segundo dados disponíveis no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“Mas mais do que secretário, ele [Gabrigna] virou gestor do sistema do pagamento de combustível do município inteiro. Então, era ele quem deveria fiscalizar e controlar tudo isso”, declarou Sirchia, em entrevista à reportagem. Ele acusa, no entanto, essa fiscalização de não estar sendo cumprida.

O parlamentar diz que a investigação encontrou diversas irregularidades, de situações incompatíveis com o registro no sistema de abastecimento. “A gente viu a senha de motorista sendo utilizada para abastecer quando o motorista estava de férias. Ou como, por exemplo, van que teoricamente teria sido abastecida em Assis, mas a van estava em manutenção em Marília”, afirmou ele.

O Metrópoles não conseguiu localizar a defesa de Leandro Gabrigna. O espaço será atualizado em caso de eventuais manifestações.