Milhões nas redes sociais: quem é Mc Negão Original, alvo de operação
Dois endereços ligados ao cantor de funk Mc Negão Original foram alvos de operação policial contra fraudes em larga escala em SP
atualizado
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O cantor de funk João Vitor Ribeiro, conhecido como Mc Negão Original, é alvo de um mandado de prisão na operação policial “Fim de Fábula”, realizada contra um esquema fraudulento de golpes em larga escala, nesta terça-feira (24/2). O artista acumula milhões de ouvintes e seguidores nas redes sociais, onde ostenta luxo e dinheiro.
Um endereço ligado ao cantor em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, foi alvo da operação desta terça (leia mais abaixo).
No Instagram, Mc Negão acumula duas contas com mais de 2 milhões de seguidores cada. No Spotify, o cantor tem mais de 11 milhões de ouvintes mensais e explodiu com hits como Medley de Igaratá e Pirocada Quente. Seu álbum, A Nata de Tudo – A Ovelha Negra, chegou ao topo do Top Álbuns Debut Global do Spotify.
Do crime à igreja
- O funkeiro nasceu em São Paulo e, em entrevista ao Metrópoles, definiu sua trajetória como “irônica”, visto que passou pelo crime, pela igreja e pelo funk.
- Mc Negão Original confessou que viveu no mundo criminoso quando era mais novo por “falta de opção”. “Houve um momento em que precisei escolher entre estudar ou ajudar minha mãe. E, naquela época, a única alternativa viável para mim era essa”, disse o cantor em uma entrevista ao Metrópoles em março de 2025.
- Ele se converteu após uma experiência marcante com a fé. “Não em questão de droga, mas de hierarquia mesmo. E foi aí que decidi seguir um caminho melhor”, revelou
Operação policial
O Departamento de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil de São Paulo deflagrou, nesta terça-feira, a operação “Fim da Fábula” que investiga um esquema fraudulento de golpes em larga escala.
A investigação revelou que a quadrilha responsável por golpes digitais em série montou uma engrenagem financeira baseada no uso intensivo de fintechs e plataformas de apostas on-line (bets) para lavar aproximadamente R$ 100 milhões obtidos com fraudes em todo o país.
São cumpridos nesta terça 120 mandados de busca e apreensão e 53 mandados de prisão temporária, além do bloqueio judicial de R$ 100 milhões em bens dos investigados.
A ação é coordenada pelo Deic, por meio da Divisão de Crimes contra o Patrimônio, em conjunto com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (Gaepp).
A operação ocorre simultaneamente em São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. No estado paulista, são cumpridos mandados em São Paulo, Ferraz de Vasconcelos, Arujá, Mogi das Cruzes, Itaquaquecetuba, Santo André, São José do Rio Preto, Praia Grande, São Vicente, Atibaia e Guarulhos,. Em Minas, os mandados são em Capitólio, Belo Horizonte e Nova Lima, além de Brasília.
Golpes em larga escala
- Entre os golpes apurados estão o chamado “golpe do INSS”, o “golpe do falso advogado” e o “golpe da mão fantasma”.
- O esquema também envolveria o uso de cartões clonados, falsas centrais telefônicas e até a utilização de BETs e fintechs para movimentação de recursos e clonagem de chaves Pix.
- Segundo os investigadores, a associação criminosa utilizava estrutura organizada, com divisão de tarefas e ocultação patrimonial.
O MPSP identificou pelo menos 36 imóveis vinculados aos investigados, além de centenas de veículos e embarcações, muitos registrados em nome de laranjas ou empresas fictícias.
Também foram determinados bloqueios de bens móveis e imóveis, além de restrição judicial sobre 86 contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas, com limite de até R$ 100 milhões por conta.
A decisão judicial que autorizou os bloqueios foi expedida pela 2ª Vara Especializada em Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital.
Participam da operação cerca de 400 policiais civis e promotores de Justiça.










