Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
São Paulo

MPSP denuncia 10 diretores da Prevent Senior por mortes na pandemia

Segundo o MPSP, 7 mortes foram provocadas por tratamento sem eficácia comprovada contra Covid feito pela Prevent Senior a durante pandemia

05/06/2024 17:25, atualizado 05/06/2024 19:33
Fábio Vieira/Metrópoles
Prevent Senior SP

São Paulo — O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou dez diretores da Prevent Senior por homicídio culposo envolvendo sete mortes de pacientes que teriam sido decorrentes de tratamento sem eficácia feito durante a pandemia de Covid-19.

Entre os denunciados, estão os donos da empresa, Fernando e Eduardo Parrillo. Também está na lista o médico Rodrigo Esper, responsável pelo estudo da Prevent Sênior sobre o uso da cloroquina para tratar Covid-19. O diretor Pedro Batista também é um dos denunciados.

Segundo o MPSP, 13 funcionários da Prevent, entre diretores e médicos, foram denunciados pelo crime de perigo, porque pacientes teriam sido colocados em risco por causa do tratamento.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

Ao todo, os promotores analisaram 130 prontuários médicos de pacientes que foram tratados com o chamado kit Covid, composto de hidroxicloroquina, ivermectina, vitaminas e prednisona, que não teve eficácia comprovada, de acordo com estudos clínicos.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP

Oito médicos fizeram acordos de não persecução penal com o MPSP e não foram denunciados. Segundo os promotores, as denúncias por homicídio culposo se concentram sobre diretores porque os médicos eram pressionados pela cúpula da operadora de saúde a prescrever os remédios sem eficácia aos pacientes.

“O que nós estamos imputando é que foram feitos experimentos com medicamento não adequado e que, devido à comorbidade que o paciente já tinha, o história do paciente, esse tratamento acabou contribuindo para a morte”, disse o promotor Everton Luiz Zanella.

Segundo o o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, chefe do MPSP, não é possível responsabilizar a operadora de saúde pelos crimes. “O resultado desse trabalho diz respeito a pessoas, não ao plano Prevent Senior, a empresa Prevent Senior, que mantém a sua higidez”, disse.

Em nota, a Prevent Senior afirmou que “sempre respeitou e colaborou com os promotores, mas reitera que seus médicos, funcionários e sócios sempre agiram para atender da melhor forma pacientes e beneficiários”. A operadora disse ainda que os denunciados “jamais cometeram crimes, o que ficará comprovado no âmbito judicial no exercício do contraditório”.

Caso Prevent Senior

O inquérito para apurar supostos crimes contra a vida na Prevent Senior foi aberto em 2021 e alimentado por depoimentos de vítimas identificadas pela CPI da Covid no Senado. Durante a CPI, foi criado até um canal de denúncias para familiares de vítimas do chamado “tratamento precoce”.

Segundo as denúncias, a maioria das “cobaias” da Prevent Senior consistia em pacientes idosos, muitas vezes bastante fragilizados pela Covid-19 e pela agressividade com que o primeiro procedimento do kit agia no organismo.

Médicos ouvidos pela CPI contaram que pacientes que não se curassem da primeira vez com o kit Covid, composto de hidroxicloroquina, ivermectina, vitaminas e prednisona, era submetido a mais dois combos, todos sem eficácia de acordo com estudos clínicos.

O Brasil registrou mais de 700 mil mortes por Covid-19, sendo o segundo país com mais óbitos no mundo — o número só é menor que o dos Estados Unidos, onde 1,1 milhão de pessoas perderam a vida.

Termo de ajustamento de conduta

Em outubro de 2021, o MPSP firmou um termo de ajustamento de conduta com a Prevent Senior em que a empresa se comprometeu a não enviar ou distribuir kit covid, não realizar tratamentos experimentais sem autorização da Anvisa e da Conep e a atualizar protocolos internos a diretrizes da Sociedade Brasileira de Infectologia.

A empresa ainda admitiu que inexistem pesquisas científicas que comprovem a eficácia da cloroquina e dos medicamentos que compõem o kit Covid.

No ano passado, um novo termo de ajustamento de conduta foi proposto pelo MPSP, Ministério Públicos Federal (MPF) e Ministério Público do Trabalho (MPT), prevendo um pagamento de R$ 940 milhões. A operadora se recusou a assinar, considerando o valor absurdo, o que levou os procuradores apresentarem uma ação civil pública em fevereiro deste ano.