Prefeitura desiste de fechar espaço que atende pessoas vulneráveis

Prefeitura de São Paulo desistiu de encerrar atividades do Núcleo de Convivência São Martinho de Lima, fundado pelo padre Julio Lancelotti

atualizado

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Divulgação/Prefeitura de São Paulo
Pessoas sentadas em cadeiras, de costas para a foto, no Centro de Convivência Martinho de Lima - Metrópoles
1 de 1 Pessoas sentadas em cadeiras, de costas para a foto, no Centro de Convivência Martinho de Lima - Metrópoles - Foto: Divulgação/Prefeitura de São Paulo

A Prefeitura de São Paulo desistiu de encerrar as atividades do Núcleo de Convivência São Martinho de Lima, no bairro Belenzinho, zona leste de São Paulo. O espaço, fundado pelo padre Julio Lancellotti, atualmente é dirigido pelo Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto (Bompar) e alimenta cerca de 400 pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Na última sexta-feira (6/3), o Ministério Público de São Paulo (MPSP) instaurou um inquérito civil para apurar o possível fechamento do centro de convivência. Em ofício enviado à Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), o órgão havia recomendado que o espaço permanecesse aberto. A promotoria também solicitou ao Núcleo de Assessoria Técnica Psicossocial (NAT) uma vistoria urgente no centro de convivência.

Inicialmente, a gestão Ricardo Nunes (MDB) alegou que o equipamento estava sendo fechado em meio a “um processo de requalificação da rede socioassistencial do município, com o objetivo de aprimorar os serviços prestados e garantir maior qualidade no atendimento aos usuários”.

A decisão de manter o centro de aberto aconteceu após uma reunião realizada na sede da pasta com representantes do Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto, segundo a SMADS. “Ficou estabelecido um cronograma de trabalho conjunto para o aperfeiçoamento dos serviços prestados no Centro São Martinho”, afirmou, em nota.

“A continuidade das atividades tem como objetivo central a realização de um estudo técnico aprofundado, conduzido pela organização parceira por meio dos Planos Individuais de Atendimento (PIAs). Este levantamento focará especificamente no público atendido que ainda não possui vinculação com a rede socioassistencial do município, visando conhecer detalhadamente as necessidades de cada indivíduo e assegurar o encaminhamento para os serviços mais adequados à sua emancipação social”, disse a prefeitura.

Centro de convivência existe há 35 anos

O São Martinho de Lima foi fundado em 1990 pelo padre Julio Lancelotti e pelo bispo Dom Luciano Mendes de Almeida, durante a gestão Luiza Erundina — à época, no PT.

A fundação coincide com a implementação do Plano Collor – projeto de contingência do então presidente da República, Fernando Collor, para conter a hiperinflação que aumentou a pobreza e, consequentemente, a população em situação de rua.

À época, o acolhimento de pessoas em situação de rua passou a ser feito pela Prefeitura de São Paulo, e não mais pelo governo do estado.

O centro de convivência foi dirigido, inicialmente, por Lancelotti de maneira voluntária. “Quando nós começamos, a comida era feita num fogão. E eu pegava o resto da feira, a xepa da feira, para fazer a alimentação”, lembrou o padre.

Há cerca de 20 anos, o Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto assumiu a direção do espaço, que fica atualmente na rua Padre Adelino, próximo à estação Belém do metrô.

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