Policiais são condenados por receber propina para ajudar traficantes

Policiais recebiam propina para permitir o tráfico de drogas em Peruíbe e vazavam informações sobre operações policiais, segundo denúncia

atualizado

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A Justiça manteve a condenação de três investigadores da Polícia Civil de Peruíbe, no litoral de São Paulo, por corrupção passiva, organização criminosa e violação de sigilo funcional. Segundo a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), os agentes recebiam propina para permitir o tráfico de drogas na região e vazavam informações sobre operações policiais.

Rodrigo de Castro, Marcos Masek Sauter e Humberto Mangabeira Fonseca Júnior foram acusados de receber propinas semanais de aproximadamente R$ 2,5 mil de traficantes da região. O acordo era intermediado por um advogado, conforme o MPSP.

Ao longo do processo, Humberto confessou os crimes, especificamente o recebimento de vantagens indevidas, e firmou um acordo de delação premiada com o Ministério Público. O policial afirmou que ele próprio recebia o dinheiro e que o valor era dividido entre a equipe de investigadores.

Rodrigo e Marcos negaram qualquer envolvimento no esquema. A defesa de Marcos alegou ainda que sua conduta se restringia à execução de ordens superiores e que era ameaçado de morte pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que o considerava um “ganso”, como são conhecidos os informantes da polícia.

Na decisão que condenou os investigadores, ainda na primeira instância, o juiz Wilson Julio Zanluqui entendeu que “restou amplamente demonstrado nos autos que desvirtuaram suas nobres funções policiais e utilizaram-se da função pública que exercem para favorecer o tráfico de drogas, crime justamente que deveriam combater”.

O magistrado destacou que os agentes agiram motivados pelo “lucro fácil”, utilizando viaturas e armas pertencentes ao Estado para se enriquecer ilicitamente em vez de combater a criminalidade. Além disso, ressaltou que a conduta dos policiais causou “um grave abalo da credibilidade das instituições que atuam no combate ao crime organizado”.

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