PM Gisele: delegado, peritos e amiga serão os primeiros a depor
Processo que investiga a morte da PM Gisele terá uma série de oitivas com 42 testemunhas já a partir do dia 29 de junho, até 2 de julho

As audiências de instrução na Justiça do caso da policial militar (PM) Gisele Alves Santana começam na próxima segunda-feira (29/6), no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo. A etapa marca o início da fase em que testemunhas de acusação e defesa serão ouvidas antes da decisão sobre o futuro do processo contra o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a esposa com um tiro na cabeça.
Segundo a assistência de acusação, os depoimentos devem se estender por vários dias, devido ao grande número de pessoas convocadas para prestar esclarecimentos. Ao todo, 42 testemunhas foram arroladas no processo. O cronograma prevê oitivas entre os dias 29 de junho e 2 de julho. Já o interrogatório do acusado está reservado para o dia 3 de julho.
No primeiro dia de audiência, a Justiça ouvirá sete testemunhas consideradas importantes para a investigação. Entre elas, estão o delegado Lucas de Souza Lopes, responsável pelas investigações do caso, os peritos Amanda Rodrigues Marinone e Tadeu Gomes Correa, que atuaram na análise da cena e do corpo da vítima, além da sargento da PM Damiana Alves da Silva, apontada como amiga próxima e confidente de Gisele. Também devem prestar depoimento policiais que atenderam a ocorrência e uma vizinha do casal.
Após a conclusão dessa fase, acusação e defesa poderão solicitar diligências complementares e apresentar suas manifestações finais. Em seguida, a Justiça decidirá se o tenente-coronel será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri ou se o processo seguirá por outro caminho.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPRelembre o caso
- A policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido no Brás, região central de São Paulo.
- Ela foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois, em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, conforme o atestado de óbito.
- Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio consumado, mas depois foi alterado para morte suspeita, com “dúvida razoável” de tratar-se de suicídio.
- Com o avanço das análises periciais e a reconstituição da sequência de acontecimentos dentro do imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não corresponde à hipótese de suicídio inicialmente apresentada.
- Com base nesse conjunto de elementos, a Justiça autorizou a prisão do tenente-coronel, que passou a responder pela morte da esposa.
- A Polícia Civil solicitou à Justiça, em 17 de março, a prisão preventiva do tenente-coronel. O pedido sucedeu a conclusão, com base em perícia técnica, de que ele seria o principal suspeito pela morte da esposa.
- A Justiça Militar do Estado de São Paulo decretou a prisão preventiva do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto em 17 de março.
- Ele foi preso no dia seguinte em um condomínio residencial de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.

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Ver todasDesembargador não está entre testemunhas arroladas
O desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, amigo pessoal do tenente-coronel e para quem Geraldo ligou após o disparo, não foi arrolado como testemunha para a audiência de instrução. Os autos mostram que tanto a acusação quanto a defesa entenderam que sua participação, embora relevante no dia dos fatos, não era necessária ou pertinente para a prova do crime em si.
O magistrado foi até o apartamento na manhã em que Gisele foi encontrada morta e orientou o tenente-coronel. Antes disso, o militar havia ligado diversas vezes para o desembargador.
Cogan relatou à Polícia Civil que, naquela manhã, havia acabado de sair de uma aula de ginástica, quando recebeu uma ligação do coronel, que falava de forma acelerada e nervosa. Registros da Polícia Científica, obtidos pelo Metrópoles, mostram que esse contato não foi imediato nem único.
Antes de conseguir falar pela primeira vez com o desembargador, às 8h04, o tenente-coronel tentou contato ao menos três vezes, entre 8h02 e 8h03, sem sucesso. Há ainda registros de novas oito tentativas até que, por volta das 8h41, o magistrado atende novamente à chamada do oficial.
Além do desembargador, Geraldo Neto já havia feito outras ligações, tentando acionar o 190, não aguardando atendimento em um primeiro momento. Também falou com um superior e, só depois, voltou a buscar contato externo, incluindo o magistrado.
Veja o calendário de oitivas
29 de junho (7 pessoas)
- Lucas de Souza Lopes (delegado que investigou o caso)
- Tadeu Gomes Correa (perito criminal e médico legista que investigou o corpo da vítima)
- Amanda Rodrigues Marinone (perita criminal que investigou a cena do crime)
- Damiana Alves da Silva (sargento da PM, psicóloga e confidente de Gisele)
- Guilherme Adriano Lucas (1º tenente da PM que atendeu a ocorrência)
- Adalberto Fernandes Lima (PM)
- Julle Anne Gonçalves Matos Bozio (vizinha do casal)
Prisão do coronel
A prisão do oficial Geraldo Leite Rosa Neto foi solicitada pela Polícia Civil no dia 17 de março, após o resultado dos laudos descartar a hipótese de suicídio sustentada por ele. O coronel foi preso na manhã do dia 18, em um condomínio residencial de São José dos Campos, interior de São Paulo, exatamente um mês após a morte da esposa.
Ao chegar às dependências ao Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo, na tarde de quarta-feira (18/3), o tenente-coronel foi recebido com abraços por colegas de farda. Veja:




















