Perícia aponta que lesão em rosto de PM Gisele foi feita por adulto
Defesa de coronel Geraldo Rosa Neto, companheiro da mulher morta, alega que marcas poderiam ter sido feitas pela filha da PM, de 7 anos

O exame necroscópico da policial militar Gisele Alves Santana, morta no apartamento em que morava na zona leste de São Paulo em fevereiro deste ano, apontou que marcas encontradas em seu rosto e pescoço foram resultado de agressões praticadas por um adulto. O coronel Geraldo Rosa Neto, companheiro da mulher, é apontado como principal suspeito pelo crime e está preso preventivamente no presídio militar Romão Gomes.
No laudo pericial do Instituto Médico Legal (IML), obtido pela reportagem, o médico legista Tadeu Corrêa descartou a possibilidade de que as lesões tivessem sido causadas pela filha de Gisele, uma menina de 7 anos, conforme sugerido pela defesa do coronel durante a investigação.
“Etiologicamente, a força empregada é de elevada energia e análoga a contexto de preensão em garra para contenção ou imobilização e exercida por sujeito com robustez suficiente a causar a necessária biodinâmica da lesão, características que são insuficientes para uma criança dessa faixa etária”, afirmou o perito.
“Não há plausibilidade minimamente racional que uma criança em situação de colo afetuoso de sua mãe possa produzir esse grau de lesão à sua genitora. Como mencionado, as dimensões maiores da lesão em comparação a mão e dedos pequenos da criança e a alta energia empregada são verazmente incompatíveis“, acrescentou.
O exame necroscópico ainda indica que as marcas foram feitas “segundos antes da morte” e que possuem o mesmo “padrão cronológico” de coagulação que a entrada do projétil, que perfurou o crânio de Gisele, “demonstrando que a contenção e o tiro fazem parte do mesmo ato executório”.
Rosa Neto nega a acusação. Ele afirma que a mulher cometeu suicídio e diz acreditar que as marcas no pescoço tenham sido feitas pela filha de Gisele, de 7 anos. Segundo ele, quando a companheira colocava a menina no colo, ela entrelaçava as pernas no corpo da mãe e a segurava pelo pescoço.

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No dia 18 de fevereiro, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta com um tiro na cabeça, no apartamento em que morava com o companheiro, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, que reportou o caso às autoridades como suicídio. O casal morava em um prédio no Brás, região central da capital paulista.
Testemunhas e familiares da vítima contestaram a versão de suicídio e o registro do caso, posteriormente, foi alterado para morte suspeita. A posição da arma na mão da vítima, laudos necroscópicos, inconsistências no relato do tenente-coronel e um histórico relatado por testemunhas de relacionamento abusivo levaram os investigadores a concluir que se tratou de um feminicídio.
A Polícia Civil concluiu o inquérito policial e indiciou o tenente-coronel por feminicídio e fraude processual. Geraldo Leite Neto foi preso em sua residência, na cidade de São José dos Campos (SP).
















