PCC queria usar entidade para crianças atípicas em esquema criminoso
Menção sobre outro braço de atuação da organização criminosa foi descoberta em interceptação feita pela Polícia Civil e o MPSP

Apontado como um dos principais elos entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e políticos da capital paulista, Baixada Santista e interior de São Paulo, Jose Daniel Satilite, o Alemão do PCC, mencionou usar uma entidade voltada ao atendimento de crianças atípicas para replicar esquema milionário semelhante ao adotado no transporte público, alvo da Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17/9) pela Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP).
A Justiça decretou a prisão de 16 pessoas, entre elas o ex-vereador e presidente do União Brasil, Milton Leite; o candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL) e o ex-presidente da SPTrans e ex-secretário de Mobilidade e Trânsito da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), Levi dos Santos Oliveira. Também estão sendo cumpridas 18 ordens judiciais de busca e apreensão.
Milton Leite não foi localizado e é considerado foragido, mas, em entrevista ao Metrópoles, ele negou ter fugido e disse estar em viagem de campanha eleitoral com um dos filhos. Ele promete se entregar em até 24 horas.
Núcleo político do PCC
Os investigados são suspeitos de envolvimento com o núcleo político do PCC, com infiltração em empresas do sistema de transporte público na capital paulista e municípios no litoral e interior de São Paulo.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPO Alemão do PCC é, segundo as investigações, um dos conselheiros da Associação das Crianças Excepcionais de Nova Iguaçu (Aceni). O uso da entidade em um esquema criminoso foi mencionado em conversa interceptada pela Polícia Civil, no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes e o MPSP.
A ONG Aceni foi procurada pelo Metrópoles por email. O espaço está aberto para manifestação.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP
Frequência de envio: Diário
Ver todasRelatórios da polícia apontam, ainda, que o esquema envolvendo o PCC e políticos tinham como um dos braços de atuação a área da saúde. A investigação interceptou diálogos em que Alemão diz que o grupo poderia usar modelo semelhante ao da associação para ocultar esquema no transporte público de municípios alvo da quadrilha.
A investigação reforça que elementos obtidos mostram que o PCC não só agia com o tráfico de drogas, mas abrangia sua atuação no uso de empresas do transporte público, uso de laranjas ou testas-de-ferro, contratos públicos, articulações políticas e em estruturas da área da saúde.
Todo o esquema, conforme as investigações, é coordenado em benefício ao PCC.
Balanço
Um balanço prévio indica que nove pessoas foram presas temporariamente no âmbito da Operação Vectura Corrupta.
Entre os principais alvos estão o candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL) e o ex-presidente da empresa de transporte SPTrans e ex-secretário de Mobilidade e Trânsito da gestão Nunes, Levi dos Santos Oliveira.
Também foram presos: Júlio Salvador Filho, Claudionor Aparecido Sabino Tomaz, Carla de Paula Muller, Edivania Arruda Botelho Alves, André Cassali, José Ronaldo Alves de Sales e Edson Antonio de Souza.
Outros lados
Segundo Milton Leite, as alegações apresentadas pela polícia sobre encontros com Oliveira, ex-SP Trans, tinham relação com o período em que ele, então presidente da Câmara de Vereadores, assumiu interinamente a cadeira de prefeito da capital. Ele nega qualquer envolvimento com o PCC.
“Eu me reunia porque era vice-prefeito e eu tive essa designação pelo Bruno Covas, em resolver a questão dos transportes”, declarou.
O ex-vereador reforçou que irá se apresentar nas próximas 24 horas: “Eu vou me apresentar, eu pedi 24 horas para poder me apresentar. Não estou me escondendo não”, afirmou.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirma que a intervenção determinada na empresa Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida para proteger o sistema municipal de transporte.
Na mesma ocasião, a administração municipal também determinou a intervenção na UPBus, “mesmo sem qualquer solicitação da Justiça”. A administração municipal diz que sempre agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada.
A prefeitura informa ainda que abriu processo pela Controladoria Geral do Município contra a Transwolff e a UPBus e, desde então, atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil no processo investigatório.
Também em nota, a Câmara Municipal de São Paulo disse acompanhar os desdobramentos das investigações promovidas pelo MPSP, em conjunto com a Polícia Civil e o Poder Executivo, e aguarda as conclusões.
O Metrópoles busca a defesa dos alvos da operação. Também aguarda um posicionamento do União Brasil em SP. O espaço está aberto para manifestação.



