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São Paulo

Ex-SPTrans: preso por suposto elo com PCC gerenciava sistema de ônibus

Levi dos Santos Oliveira, foi preso em operação desta quinta-feira (17/9) suspeito de integrar esquema de infiltração do PCC no transporte

17/09/2026 10:02, atualizado 17/09/2026 10:45
Reprodução/ Redes Sociais
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O ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira foi preso durante a Operação Vectura Corrupta, deflagrada na manhã desta quinta-feira (17/9), contra um suposto esquema de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público de São Paulo.

No total, a Polícia Civil e o Ministério Público (MPSP) cumprem 16 mandados de prisão e mandados de busca e apreensão. Além de Levi, um dos alvos é o ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite, que é considerado foragido.

A operação é um desdobramento de investigações anteriores que identificaram uma rede de comunicação entre integrantes do PCC e a participação ativa do crime organizado no transporte coletivo.

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Levi dos Santos Oliveira foi presidente da SPTrans em 2020 e havia sido indicado ao cargo pelo ex-prefeito paulista Bruno Covas (PSDB). Após a morte de Covas, em 2021, ele foi indicado ao cargo de secretário de Mobilidade e Trânsito na gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) entre os anos de 2021 e 2022.

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Segundo as autoridades, as investigações da operação desta quinta apontam que ao menos 12 empresas seriam controladas direta ou indiretamente pelo PCC. Os investigadores também identificaram o intenso envolvimento do PCC no financiamento de campanhas políticas nas eleições para prefeitos e vereadores de 2024.

Na investigação, Levi não foi apontado como interlocutor direto de uma das liderança do PCC, José Daniel Satilite, “mas ambos, pelo que foi detectado, tiveram encontros periódicos com a única finalidade de tratar de interesses da facção relacionados a empresas de transportes, especialmente com a deflagração da Operação Fim da Linha”.

Levi dos Santos Oliveira diz foi surpreendido com a notícia de sua prisão. Sua defesa enfatiza que ele não tem antecedentes criminais e “construiu ao longo de décadas, uma trajetória de relevantes serviços públicos prestados à cidade de São Paulo, atuando na SPTrans, onde se consolidou como referência técnica em sua área”.

A defesa diz que ainda não teve acesso aos autos e adotará as medidas jurídicas cabíveis, “com confiança nos meios legais para o pronto esclarecimento dos fatos e a revogação de sua segregação”.


Quem são os alvos de operação contra o PCC no transporte público

  • André Cassali
  • Carla de Paula Muller
  • Cicero Jose dos Santos Filho
  • Claudionor Aparecido Sabino Tomaz
  • Danilo Marco Morgado Silva
  • Edivania Arruda Botelho Alves
  • Edson Antonio de Souza
  • Eduardo Medeiros
  • José Daniel Satilite
  • José Ronaldo Alves de Sales
  • Julio Salvador Filho
  • Levi dos Santos Oliveira
  • Milton Leite da Silva
  • Milton Mello Milreu
  • Paulo Sirqueira Korek Farias
  • Sergio Luiz Gevaerd de Oliveira

Além do ex-presidente da SPTrans, o candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL) também foi preso no âmbito da operação deflagrada nesta quinta-feira (17/9). Morgado é investigado por envolvimento com o núcleo político do PCC. Segundo a polícia, a campanha dele ao pleito municipal, em 2024, foi financiada pela facção criminosa.

Milton Leite, ex-vereador e presidente do União Brasil em São Paulo, também alvo de um mandado de prisão, não foi localizado e é considerado foragido pela polícia. Em entrevista ao Metrópoles ele negou ter fugido e disse que irá se apresentar às autoridades em um período de 24 horas.

O que dizem os envolvidos

O Metrópoles tenta contato com os investigados. Por telefone, Milton Leite negou envolvimento no esquema e afirmou que se apresentará às autoridades dentro de 24 horas.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que a intervenção determinada na empresa Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida para proteger o sistema municipal de transporte. Na mesma ocasião, a administração municipal também determinou a intervenção na UPBus, “mesmo sem qualquer solicitação da Justiça”. A administração municipal diz que sempre agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada.

A prefeitura informou ainda que abriu processo pela Controladoria-Geral do Município contra as empresas e, desde então, atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil no processo investigatório.

Também em nota, a Câmara Municipal de São Paulo disse acompanhar os desdobramentos das investigações promovidas pelo MPSP, em conjunto com a Polícia Civil e o Poder Executivo, e aguarda as conclusões.