PCC: esquema em combustíveis tem empresa laranja registrada em igreja

Empresa teria sido criada para emitir notas fiscais falsas de compra de nafta e permitir desvio de substância para fraudar combustíveis

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Uma empresa registrada no endereço de uma igreja, no interior de Alagoas, integrava a rede de laranjas estruturada para lavar o dinheiro oriundo de fraudes bilionárias no setor dos combustíveis, de acordo com promotores do Ministério Público de São Paulo (MPSP). A empresa teria sido criada para emitir notas fiscais falsas, simulando a compra de nafta e dando lastro ao envio da substância a postos de todo o país para adulteração dos combustíveis.

Segundo as investigações, parte da estrutura criminosa de dissimulação e ocultação de capitais coincide com a utilizada por Roberto Augusto Leme, o Beto Louco, e Mohamed Mourad Filho, o Primo, apontados como donos da distribuidora Copape e supostamente ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Com capital declarado de R$ 100 mil, a Atalaia & Atalaia Comércio LTDA tem como endereço registrado o número 226 da rua Niceu Dantas, 266, na cidade de Atalaia, a 45 km de Maceió. No local, fica a igreja Sociedade Maria Cristo e não há qualquer indício de que uma empresa exista ali.

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A Atalaia & Atalaia foi aberta em 10 de setembro de 2025 e tem como uma de suas atividades registradas a “fabricação de produtos químicos orgânicos”. O dono é Nicolas Michel Gomes Vieira Ricardo, apontado como um “laranja recorrente” no esquema. Ele também aparece como sócio, por exemplo, da Alquimex Comércio Químico e Agropecuário, que, segundo os promotores, é mais uma empresa inexistente.

Segundo as investigações, a mãe de Nicolas, Michele Gomes Vieira, mantinha contato direto com um dos operadores do esquema de fraude e ficava encarregada de buscar novos “sócios” para a criação de empresas de fachada. Uma companhia registrada no nome da mulher, a Zurk Indústria e Comércio, emitiu nota fiscal de compra de 475 mil litros de nafta, mesmo estando baixada.

A petroquímica responsável por vender a nafta usada para fraudar os combustíveis é a Petrodansk, localizada no interior de São Paulo. Segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), em um único mês, em julho de 2024, a empresa comprou 33 milhões de litros da substância, tendido vendido quase todos.

Em um período de sete meses, ainda em 2024, de 41 empresas que compraram nafta da Petrodansk, o Ministério Público de São Paulo cita apenas três que “efetivamente apresentam correlação com o produto.”

Na denúncia apresentada pelo promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), seis pessoas ligadas à petroquímica são citadas como participantes do esquema. Entre elas, Aldo Antônio Mais, apontado como verdadeiro gestor, que atuava por meio de procurações assinadas pelos filhos.

Fluxo Oculto

Nessa quinta-feira (28/5), o Ministério Público de São Paulo deflagrou uma nova fase da operação Carbono Oculto, batizada de Fluxo Oculto. Os principais alvos, segundo os promotores, são fintechs que foram cooptadas pela estrutura criminosa para ocultar patrimônio após instituições de pagamento que exerciam o mesmo papel serem descobertas pelas autoridades.

Seis novas fintechs investigadas na segunda fase da Operação Carbono Oculto operavam como “bancos paralelos” do PCC e movimentaram mais de R$ 26 bilhões em quatro anos, apontou a Receita Federal.

A investigação apontou que o esquema de desvio de nafta a partir da emissão de notas fiscais falsas por empresas laranjas utilizou a mesma rede de laranjas descoberta pela Carbono Oculto.

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