PCC: Cadillac de Deolane apreendido em mansão não é vendido no Brasil
O Cadillac de Deolane vale mais de R$ 2 milhões e não é vendido de forma oficial no Brasil. Veículo foi apreendido em operação contra o PCC
atualizado
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O Cadillac de Deolane Bezerra, influenciadora presa nessa quinta-feira (21/5) suspeita de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), é avaliado em mais de R$ 2 milhões e não é comercializado no Brasil de maneira oficial. O veículo foi apreendido na mesma operação que prendeu a influenciadora e mirou a família de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.
Deolane Bezerra tem um Cadillac Escalade de 2025, um SUV de luxo da marca estadunidense. O veículo foi encontrado e apreendido na casa da influenciadora. No site da Cadillac, é possível encontrar modelos custando a partir de $ 120 mil (mais de R$ 600 mil na cotação atual do dólar).
Apesar disso, o carro ainda não é vendido de forma oficial no Brasil. Aqueles que quiserem adquirir o veículo de luxo terão que ir atrás de importadoras. Em sites brasileiros, é possível achar o Cadillac por valores que vão de R$ 1.559.000 a R$ 2.400.000.
Além do Cadillac, a Polícia Civil também apreendeu uma Mercedes AMG G63 4M, modelo 2025, avaliada em R$ 2.020.262. O veículo, de modelo híbrido, é importado da Alemanha e roda com eletricidade e gasolina.
Operação começou com bilhete em presídio
Autoridades de São Paulo deflagraram, nessa quinta-feira (21/5), a Operação Vérnix, contra um esquema de lavagem de dinheiro do PCC. A ação é desdobramento de uma investigação iniciada após trocas de bilhetes dentro de uma penitenciária. Segundo documento obtido pelo Metrópoles, as mensagens foram localizadas na caixa de esgoto de uma cela na Penitenciária II “Maurício Henrique Guimarães Pereira”, em Presidente Venceslau.
Os bilhetes foram descobertos em 2019, após dois detentos darem descarga nos papéis durante uma vistoria na cela. Os manuscritos revelaram elementos relacionados à dinâmica interna do PCC, ao tráfico de drogas dentro da penitenciária, à atuação de lideranças do crime organizado e a planos de atentados contra agentes públicos, incluindo um ex-diretor do presídio.
Um dos manuscritos sugeria uma cobrança de Marcola sobre a execução do plano de ataque. O bilhete indicava que “aquela mulher da transportadora” havia fornecido o endereço atualizado de um dos alvos do atentado.
Em busca da “mulher da transportadora”, a Polícia Civil identificou uma empresa de transportes sediada em endereço ao lado do presídio e deflagrou, em 2021, a Operação Lado a Lado. Durante a operação, as autoridades apreenderam um celular e analisaram mais trocas de mensagens de pessoas ligadas à facção. O conteúdo também revelou indícios de repasses financeiros a Deolane Bezerra e apontou estreitos vínculos pessoais e comerciais da influenciadora com um dos gestores fantasmas da transportadora.
Entenda o envolvimento de Deolane Bezerra
- Segundo a investigação, Deolane desempenhava um papel fundamental ao fornecer uma camada de aparente legalidade para os recursos ilícitos do PCC.
- A projeção pública da influenciadora, além de suas atividades empresariais formais e da movimentação de seu patrimônio, era utilizada para ocultar e dissimular a origem criminosa do dinheiro, dificultando a identificação do vínculo com a facção.
- Deolane, segundo os investigadores, tinha vínculos pessoais e negociais estreitos com um dos “gestores fantasmas” de uma transportadora em Presidente Venceslau. A empresa já havia sido identificada como braço financeiro do PCC em uma operação anterior.
- Os investigadores ainda apontam que a influenciadora apresentou movimentações financeiras expressivas e um fluxo vultoso de dinheiro que não tinha lastro econômico compatível com suas atividades.
- A estrutura envolvia o recebimento de valores de origem não esclarecida por meio de empresas, além da aquisição ou vinculação a bens de alto padrão, como imóveis e veículos de luxo.
A quebra de sigilos revelou um alto fluxo de dinheiro sem lastro compatível, além de movimentações bancárias atípicas, contas utilizadas para passagem de valores e operações com empresas sem capacidade financeira aparente.
As investigações prosseguiram e resultaram na Operação Vérnix. Após pedido da Polícia Civil com apoio do Ministério Público paulista, a Justiça determinou o bloqueio de valores superiores a R$ 327 milhões, além do sequestro de 17 veículos – incluindo modelos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões – e quatro imóveis ligados aos investigados. Seis prisões preventivas foram decretadas.
Com a operação, as autoridades buscam interromper o fluxo financeiro ilícito, preservar ativos de possível origem criminosa e atingir a estrutura econômica do PCC.
Veja íntegra de posicionamento da defesa de Deolane
“A defesa técnica da advogada Dra. Deolane Bezerra Santos vem, com o máximo respeito às instituições do Sistema de Justiça e ao Estado Democrático de Direito, prestar os devidos esclarecimentos sobre os acontecimentos que resultaram em sua prisão preventiva.
Inicialmente ressaltamos a sua mais absoluta inocência, bem como, que os fatos serão devidamente esclarecidos por esta, em momento oportuno.
Por hora e como o devido acatamento, consideramos desproporcionais as medidas firmadas em face de Deolane e esta banca de defesa seguirá cooperando tecnicamente com a Justiça para demonstrar a licitude de suas atividades na condição de advogada que é, confiando plenamente no discernimento, na razoabilidade e na imparcialidade do Poder Judiciário.”





























