Parada LGBT+ de SP chega aos 30 com apelo às urnas e poucas autoridades
Parada deve tomar a Avenida Paulista neste domingo (7/6) com 14 trios elétricos e 60% a menos de patrocínios na comparação com ano passado
atualizado
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A Parada LGBT+ realiza neste domingo (7/6) a sua 30ª edição na Avenida Paulista, na região central de São Paulo. com o tema “Parada SP 30 anos: A rua convoca, a urna confirma”, incentivando a luta, coragem e ocupação nas ruas. O evento deve acontecer sem a presença de grandes autoridades políticas, como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que não devem ir ao evento. Já o governo federal será representado pela ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Janine Mello.
“A Parada reúne diversos políticos ao longo do evento como um todo”, afirmou o diretor da Parada LGBT+, Matheus Emílio, ao Metrópoles. “A gente sempre convida o prefeito e o governador, diversos parceiros do meio político. E [estamos] sempre abertos a receber quem nos procura, e querem apoiar a nossa causa. [Essas pessoas] sempre foram e sempre serão bem-vindas. Afinal, o intuito da parada é somar, é trazer para perto pessoas que querem construir algo pra comunidade.”
Por outro lado, ativistas engajadas com a comunidade já confirmaram presença, como a pré-candidata a deputada estadual Leonora Áquila (PSB-SP) e a deputada federal Erika Hilton (Psol-SP).
A Parada ocorre ainda em meio à queda de 60% dos patrocínios para o evento deste ano. Um vídeo da cantora Pabllo Vittar falando sobre o assunto viralizou no fim do mês passado. “A parada LGTQIAPN+, vulgo a maior parada LGBT do mundo, perdeu 60% dos patrocínios este ano. E tudo por conta dessa onda de conservadorismo que a gente vem vivendo”, diz Pabllo no vídeo.
Segundo Matheus Emílio, a organização têm tido dificuldades em conseguir patrocinadores pelo reflexo das mudanças culturais que impactam pautas relacionadas à diversidade.
“O movimento chamado anti-woke que tem vindo dos Estados Unidos tem impactado nas empresas multinacionais que atuam aqui no Brasil. Elas não destinam verbas específicas para ações de diversidade. A gente tem acompanhado com bastante preocupação esse movimento”, destaca o diretor da Parada LGBT+. “Não somos e não podemos aceitar ser tratados como cidadãos de segunda classe. Por isso, a importância de um voto consciente e do nosso tema.”
Outro ponto é a polêmica aprovação, em primeiro turno, na Câmara Municipal de São Paulo, de um projeto de lei (PL) que proíbe a presença de crianças e adolescentes em eventos públicos ou privados que “façam alusão ou fomentem práticas LGBTQIA+”, como a Parada do Orgulho LGBT+. O projeto deve ainda passar por audiências públicas antes de ser votado em segundo turno.
“A Parada integra oficialmente o calendário oficial de eventos da cidade de São Paulo desde 2016 e ela vai, sim, continuar acontecendo nas ruas, enquanto for necessário lutar pelos nossos direitos, com famílias e com crianças”, afirmou Matheus.
Os organizadores não estimam um público para o evento, que deve contar com uma boa adesão. No ano passado, a Parada LGBT+ teve um público de quase 50 mil pessoas durante o pico do evento, de acordo com o levantamento do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), da Universidade de São Paulo (USP).
A 30ª edição da Parada SP acontece neste domingo, a partir das 10h. A programação conta com shows de Pabllo Vittar, Gloria Groove, Melody e outros artistas em 14 trios elétricos, e visa reafirmar um chamado direto: “sem ocupar a rua, não há visibilidade”.














